Ria de Aveiro: antiga quinta da família fundadora da Vista Alegre vai ser um hotel de charme

Propriedade de Ílhavo tem 50 hectares de área, está plantada junto à ria de Aveiro e tem uma longa história para contar. Requalificação da Quinta do Paço da Ermida contemplará a criação de um pequeno espaço museológico e um estúdio de cerâmica.

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Adriano Miranda
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O projecto de requalificação ainda não está pronto mas há já algumas ideias-base bem definidas para aquele que poderá vir a ser o segundo hotel de cinco estrelas da região de Aveiro. A Quinta do Paço da Ermida, que durante várias gerações esteve nas mãos da família Pinto Basto, fundadora da fábrica da Vista Alegre, vai ser recuperada e reabilitada para incluir um hotel de charme, associado a outras valências turísticas e culturais. A propriedade está localizada em Ílhavo e estende-se, ao longo de 50 hectares, até ao canal do Boco, da ria de Aveiro.

Os planos dos novos proprietários do espaço, a Spring Ocean, empresa de investimentos imobiliários, vão muito para além da recuperação da casa apalaçada e dos jardins que a envolvem – onde se destaca uma imponente e bicentenária araucária classificada como árvore de interesse público. O futuro “boutique hotel”, com cerca de 30 a 40 quartos, será, assim, apenas uma das peças do projecto final. O empresário Miguel Casal, da Spring Ocean, já deu nota da intenção de “recuperar a parte agrícola da quinta, se possível também a produção de arroz, criar um centro hípico, um espaço de eventos e avaliar o potencial imobiliário”. Na calha pode estar, também, a construção de algumas vivendas “para um segmento médio/alto”, acrescenta.

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Uma das propostas que já é dada como certa prende-se com a criação de um espaço museológico dentro do empreendimento, dedicado à história da propriedade mandada construir no século XVII e da capela à qual ela está ligada por uma ponte em arco. A quinta, segundo o historiador ilhavense Hugo Calão, foi criada por Rui de Moura Manuel, “irmão de D. Manuel de Moura Manuel, bispo de Miranda, Inquisidor e Reitor da Universidade de Coimbra, que segundo consta passava largas temporadas no Paço da Ermida”; em 1812, foi adquirida por José Ferreira Pinto Basto (fundador da fábrica da Vista Alegre em 1824), mantendo-se na família até ao ano de 2018.

Do plano de intenções da Spring Ocean consta, ainda, a ideia de criar um estúdio de cerâmica na quinta. O empresário Miguel Casal tem em comum com os anteriores proprietários, a família Pinto Basto, a forte ligação à indústria cerâmica. É fundador e administrador executivo da reconhecida marca de cerâmica Costa Nova – e, consequentemente, da empresa Grestel, com sede em Vagos.

Em declarações ao PÚBLICO, Miguel Casal garantiu não ter ainda números concretos quanto ao montante global do investimento, escusando-se a revelar o valor de aquisição do imóvel. Ainda que tenha na vizinhança um outro empreendimento de luxo, o Montebelo Vista Alegre Ílhavo Hotel, o investidor acredita que a Quinta do Paço da Ermida tem todas as condições para prosperar. “Não existe nenhum espaço com este perfil que definimos em toda a zona de Aveiro”, sustenta, sem deixar de notar ainda que a região “tem um défice de hotéis de luxo”.

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Câmara de Ílhavo aplaude

O município de Ílhavo reage de forma positiva a este novo projecto turístico, que parece posicionar-se “num patamar de qualidade acima da média”, destaca Fernando Caçoilo, líder da autarquia, recordando o recente anúncio da concessão do Forte da Barra, ao abrigo do programa Revive. “Estes dois investimentos serão mais uma mais-valia para o crescimento turístico do concelho”, vaticina.

No caso concreto da Quinta do Paço da Ermida, prima por estar localizada “num local de excelência e com uma envolvência cheia de charme”, destaca o edil. Espera-se que este investimento ajude, também, a dar nova vida à capela contígua à propriedade. Em 2013, o templo foi objecto de um protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Ílhavo, a Paróquia de São Salvador e os seus antigos proprietários – a família Pinto Basto , com vista à execução de uma obra de intervenção e qualificação do edifício. “Acontece que, depois de a câmara concluir as obras, a paróquia e a diocese manifestaram algumas dificuldades em fazer o que estava previsto, que era gerir a capela”, adianta Fernando Caçoilo. Ou seja, o templo tem-se mantido de portas fechadas e sem qualquer tipo de utilização.

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