Forte da Barra de Aveiro já pode ser transformado num hotel

Imóvel edificado no século XVII, e situado de frente para a ria, terá de ter utilização turística. Concurso público para a concessão a privados, no âmbito do programa Revive, acaba de ser lançado.

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Adriano Miranda
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É o primeiro forte a ser alvo de concurso público para concessão ao abrigo do programa Revive. Edificado no século XVII, o Forte da Barra de Aveiro, situado na Gafanha da Nazaré, pode estar prestes a ser requalificado e a dar lugar a uma unidade hoteleira. Tudo depende, agora, do interesse que ele venha a suscitar junto dos privados. O concurso para a sua concessão - lançado esta quinta-feira pela secretária de Estado do Turismo, Rita Marques - prevê um prazo de 90 dias para a apresentação de propostas. E ainda que esta não seja a primeira vez que o imóvel é alvo de uma tentativa de alienação, as entidades envolvidas no processo mostram-se optimistas quanto ao seu desfecho.

A concessão para exploração com fins turísticos (estabelecimento hoteleiro, alojamento local ou outro projecto de vocação turística), terá a duração de 50 anos e uma renda mínima anual de 6.444 euros. A localização privilegiada – de frente para a ria e para a entrada da barra de Aveiro – joga a seu favor num procedimento que está sujeito às respostas do mercado. Assim como a história que ele tem para contar: esta fortificação do tipo abaluartado fez parte de um conjunto de fortalezas joaninas construídas no período pós restauração, para reforçar as fronteiras do reino.

Acabou por perder importância em meados do século XIX, sendo desactivada das suas funções militares. Ainda serviu de local de orientação para entrada de barcos na Barra de Aveiro, mas perdeu essa função com a construção do farol da Barra. Em 1993, ficou devoluto, “entregue à sua sorte”, lamentou Carlos Caetano, autor da monografia alusiva ao imóvel.

Autarca sonha com um hotel de charme

Para a Administração do Porto de Aveiro (APA), proprietária do imóvel, mais importante do que a tipologia do empreendimento que ali poderá vir a nascer é poder ver “o edificado valorizado”. “São espaços particularmente interessantes para o investimento turístico, seja ele qual for”, realçou Fátima Alves, presidente da administração portuária. Também Fernando Caçoilo, presidente da câmara de Ílhavo, considera que “o importante é recuperar todo este património”, dando-lhe “utilidade”. Ainda assim, deixou a sua opinião: “um hotel de charme ficaria muito bem nesta zona, pelo enquadramento que tem e pela paisagem”.

Expectativas positivas tem também Rita Marques, secretária de Estado do Turismo. “Temos a convicção de que teremos aqui um bom desfecho”, disse, sem esconder que estes processos são, normalmente, sujeitos a uma auscultação prévia do mercado. “Todos os dias recebemos manifestações de interesse, quer de privados nacionais, quer de internacionais, e tentamos, dentro do possível, acomodar as peças do concurso às pretensões desses mesmos privados”, especificou a governante, no final da cerimónia de lançamento do concurso.

Para já, fica a certeza de que “este é o primeiro forte que é lançado a concurso”. “Temos vários identificados no programa Revive, mas o Forte da Barra com concurso aberto”, apontou Teresa Monteiro, vice-presidente do Turismo de Portugal.

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