Como melhorar a sexualidade durante a pandemia? Cinco dicas da Ordem dos Psicólogos

O documento, publicado nesta semana, reúne recomendações tanto para quem está numa relação, como para quem não está.

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A Ordem dos Psicólogos alerta que é importante aceitar as dificuldades Becca Tapert/Unsplash

Consciente de como a pandemia de covid-19 tem impacto nas relações amorosas e na vida sexual, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) publicou, esta semana, um documento com algumas recomendações — tanto para quem está numa relação, como para quem se encontra solteiro. O PÚBLICO partilha cinco dicas mais úteis.

A pandemia afectou todas as áreas da vida, incluindo, claro, a sexualidade. Não só as actividades sexuais podem aumentar o risco de transmissão do novo coronavírus, como as incertezas da pandemia, trazem um conjunto de desafios que podem “interferir com as relações emocionais, a intimidade entre pessoas” e, por consequência, na “actividade sexual e a sexualidade individual”, explica a OPP.

Para quem está numa relação, a pandemia pode ter vindo acentuar as diferenças — que provavelmente já existiam — no que diz respeito ao desejo sexual. Se alguns encontram no sexo uma forma de escape à ansiedade e angústia que vivemos, outros podem perder o interesse e o desejo.

Já para quem não está numa relação, a oportunidade para conhecer alguém novo e ter encontros sexuais são reduzidas, o que, explica a OPP, pode aumentar o isolamento e solidão. Por consequência, aumenta também a frequência de actividades masturbatórias, que se por um lado têm aspectos positivos, também podem gerar ainda mais insatisfação.

A Ordem dos Psicólogos partilha então alguns conselhos para que se reinvente a intimidade e a sexualidade durante a pandemia de covid-19. O documento deixa ainda o alerta para se sentir que precisa de ajuda ou aconselhamento, procurar um psicólogo.

Ser criativo e criar novos hábitos

A OPP sugere que se procure viver a sexualidade de forma diferente. “As experiências sexuais são resultado da interacção complexa de estímulos físicos, visuais, auditivos e psicológicos que não requerem, necessariamente, contacto físico”, pode ler-se no documento.

Por que não criar encontros virtuais, partilhar músicas ou escrever uma carta de amor? São alguns dos exemplos dados, mas é também incentivada a criação de novos hábitos, como jogos sexuais, partilha de fantasias — “procurar estímulos sexuais que funcionem à distância”.

Experiências como o sexting (mensagens de cariz sexual) também podem funcionar, mesmo que o casal esteja na mesma casa. A partilha de fotografias ou vídeos, sublinha a OPP, “pode enriquecer a vida sexual e estimular a imaginação”. Mas, cuidado com quem e como partilha, por vezes, estas imagens podem ser mal usadas quando uma relação termina.

Aprender mais sobre sexualidade

O novo confinamento pode ser uma oportunidade para aprender mais sobre sexualidade, descobrir preferências. Sozinho ou em casal, leia livros ou veja documentário sobre sexualidade. Poderá ser uma oportunidade para descobrir novas formas de ter prazer.

Na plataforma de streaming Netflix estão disponíveis, por exemplo, a série documental Sex, Explained (O Sexo Explicado) ou a série de ficção Sex Education.

Conversar muito

A OPP propõe que em casal se converse abertamente sobre o tema. “A expressão dos sentimentos e a comunicação acerca da sexualidade contribui para o aumento da satisfação sexual”, explicam as recomendações dos psicólogos portugueses.

Assim, não tenha vergonha de falar com o seu parceiro/a sobre as suas necessidades, desagrados e receios, procurando resolver os constrangimentos que surgirem.

Investir na intimidade

É fundamental criar e partilhar momentos de bem-estar, não só para actividades sexuais, mas também para oferecer apoio emocional à outra pessoa.

Para os casais com filhos, a OPP sugere que deitem as crianças sempre num horário específico que permita, assim, “criar um espaço” para usufruir da companhia um do outro.

Aceitar e abraçar as dificuldades

Finalmente, “aceitar possíveis dificuldades” é fundamental para cuidar da sexualidade e intimidade na pandemia, ressalva a OPP. É importante aceitar que a covid-19 tem repercussões na vida sexual e que dificuldades como a ausência de desejo ou excitação são naturais e, aliás, expectáveis. “É preciso aceitar estas dificuldades e recusar sentimentos de culpa se eles surgirem”, conclui o documento.