Produção da Autoeuropa recua 25% com a pandemia

Fábrica da Volkswagen em Palmela constrói 192 mil carros em 2020, menos 58 mil que o esperado e menos 65 mil que em 2019.

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Miguel Manso

A fábrica líder na produção automóvel e a mais exportadora de Portugal vai fechar o ano de 2020 com uma quebra de 25% na produção face a 2019. Segundo números divulgados nesta sexta-feira, a Autoeuropa vai produzir 192 mil unidades até ao final do ano, “o que representa uma redução de 58 mil carros face ao previsto no início de 2020”. A culpa, diz a empresa num comunicado divulgado pelo responsável da comunicação, é da pandemia de covid-19.

Em 2019, a fábrica da Volkswagen em Palmela, no distrito de Setúbal, tinha construído 256.878. Foi um ano excepcional, em que a empresa pulverizou o recorde de produção logo em meados de Novembro, quando ainda faltava mês e meio para o fim.

Os 5800 trabalhadores de então fabricaram em média 890 carros e as projecções para 2020 no início deste ano apontavam para um volume de produção semelhante. Porém, as paragens forçadas deste ano vão ter um custo, representando um desvio na produção de cerca de 23% face ao que era esperado para este ano e uma quebra de cerca de um quarto comparativamente ao período homólogo.

A empresa fechou a 16 de Março, tendo recorrido ao layoff simplificado durante o período mais crítico da primeira vaga de infecções. Retomou a laboração, de forma faseada, a partir de 20 de Abril, mas manteve cerca de mil trabalhadores parados em casa até 17 de Julho. Mesmo em layoff, os trabalhadores receberam o salário por inteiro.

Segundo o comunicado de hoje, a empresa tem neste momento 5400 pessoas. É um número inferior ao que tinha há um ano. Mas a administração realça que “nos últimos 12 meses” integrou nos quadros “mais de 1100 trabalhadores” que estavam com contratos a termo.

A empresa volta a parar agora em Dezembro, de forma intermitente, num total de 20 dias, que incluem o período do Natal e de Ano Novo. Isso vai custar uma redução de sete mil veículos, baixando a previsão final de produção total este ano de 199 mil para os tais 192 mil.

Após a paragem no feriado do dia 1, trabalha-se três dias (2 a 4 de Dezembro), seguindo-se nova suspensão de quatro dias (que inclui o feriado do dia 8). O regresso ao trabalho será depois por apenas três dias, havendo nova paragem de dois. E a seguir volta-se a trabalhar por cinco dias, até ao dia 18. Depois, a fábrica fecha e só volta a reabrir em 2021.

Essa informação foi divulgada pela administração à Comissão de Trabalhadores, que no dia 18 deste mês se mostrou “preocupada” com esta redução acrescida. A administração justificou estas paragens adicionais com o “impacto que a pandemia está a ter nos principais mercados da empresa, especialmente no europeu”, segundo declarações citadas pela Lusa.