Marcelo pediu a Xi Jinping para acelerar entrega de ventiladores

O Presidente chinês ligou ao homólogo português para conversarem.

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Xi Jinping ligou a Marcelo Rebelo de Sousa seis dias depois de Trump Reuters/ALY SONG

O Presidente da República Popular da China ligou esta quinta-feira para chefe de Estado português para conversarem sobre a evolução da pandemia nos dois países e o seu impacto “na economia e na sociedade à escala universal”, segundo nota publicada no site da Presidência. Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou para pedir ao seu homólogo chinês Xi Jinping que intercedesse para acelerar a entrega de material “encomendado e pago” à China, em particular ventiladores, obtendo a garantia de uma “rápida resolução do assunto”.

Marcelo e Xi Jinping “salientaram a cooperação” em curso entre os dois países, em particular “no sector de material hospitalar produzido na China e necessário ao combate da covid-19 em Portugal”, lê-se na nota. O Presidente luso agradeceu “os contributos de cidadãos e entidades chinesas, que doaram parte desse material ao povo português”, mas foi nesse contexto que Marcelo pediu a Xi que acelerasse a entrega de material já pago à China, em particular os ventiladores em falta, a fatia de leão da encomenda feita em Março.

A 23 de Março, o primeiro-ministro António Costa anunciou ter pago 9,3 milhões de euros à China por 500 ventiladores no âmbito de uma encomenda com outro tipo de material de combate à doença. Quatro dias depois, chegou o primeiro avião da China com algum equipamento de protecção (luvas, máscaras, fatos, óculos), mas sem ventiladores nem reagentes para testes ao novo coronavírus.  Na justificação dada na altura foi que “a encomenda não estava pronta”.

Só a 19 de Abril, quase um mês depois, chegaram os primeiros 65 ventiladores, mantendo-se sem data marcada a entrega dos restantes 443 já pagos. Por essa altura chegaram também 900 mil kits de teste PCR e 334 mil zaragatoas, 5,5 milhões de máscaras cirúrgicas e 1,2 milhões de máscaras FFP2 e FFP3, que são máscaras com respiradores. Foram também entregues batas, toucas e outros equipamentos de protecção individual. 

A conversa com Xi Jinping acontece seis dias depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter também telefonado a Marcelo e elogiado o desempenho português no combate à pandemia. Trump ofereceu “toda a ajuda que fosse considerada útil e necessária”, aproveitando os dois chefes de Estado para conversar sobre “temas de interesse bilateral e multilateral”. Uma formulação idêntica à que é usada agora para descrever o conteúdo da conversa com Xi Jinping.

“O Presidente da República Portuguesa aproveitou a ocasião para sublinhar a importância da coordenação internacional e no quadro das instituições multilaterais para enfrentar os desafios comuns, incluindo na resposta da comunidade internacional ao novo coronavírus e na necessidade de actuar de forma efectiva, tanto no âmbito sanitário global como dos desafios da paz e segurança que a pandemia coloca”, lê-se na nota.

São referências ao multilateralismo e à importância das Nações Unidas que Marcelo Rebelo de Sousa faz questão de repetir sempre que tem oportunidade e que também tinha feito na conversa com Donald Trump.

Os dois Presidentes abordaram depois “as consequências da pandemia na economia e na sociedade à escala universal”, com Belém a sublinhar que o fizeram “no contexto das estratégias diferenciadas de desenvolvimento”. Por fim, “renovaram o interesse no aprofundamento das relações luso-chinesas e sino-europeias baseadas nos princípios da amizade, cooperação e respeito mútuo”, conclui a nota da Presidência.