Estudo alerta para riscos da carne, contrariando os que dizem que deixar de a comer não faz melhor à saúde

Comer duas porções de carne vermelha, processada ou de aves, semanalmente, está ligado a um risco de 3% a 7% maior de contrair doença cardiovascular.

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Nuno Ferreira Santos

Um novo estudo sobre o consumo de carne constatou que as pessoas que comem carne vermelha e processada têm maiores riscos de doenças cardíacas e morte prematura. Este vem contrariar as investigações mais recentes que sugerem que cortar na carne traz poucos benefícios à saúde.

As múltiplas descobertas podem tornar “difícil para as pessoas entenderem o que podem parecer mensagens contraditórias sobre os alimentos”, declara Duane Mellor, nutricionista da Universidade de Aston, na Grã-Bretanha, que não está directamente envolvida em nenhum dos estudos. Por isso, olhando para toda a investigação que tem sido feita e que vai nos dois sentidos, a recomendação é a moderação no consumo, acrescenta.

“Provavelmente é seguro comer quantidades moderadas de carne, incluindo carne vermelha (menos de 85 gramas diárias)”, continua Mellor. “No entanto, no interesse da sustentabilidade e da saúde, seria sensato reduzir a ingestão de carne aos recomendados menos de 70g por dia.”

Uma revisão de estudos, publicada em Setembro passado, constatou que o corte de carne vermelha e processada traz poucos ou nenhuns benefícios à saúde. No entanto, essa descoberta contradiz os conselhos alimentares de agências internacionais e suscitaram muitas críticas. Agora, este último estudo, levado a cabo por investigadores das universidades de Northwestern e de Cornell, nos EUA, publicado na segunda-feira na revista JAMA Internal Medicine, constatou que comer duas porções de carne vermelha, processada ou de aves, por semana, está vinculado a um risco de 3% a 7% maior de doença cardiovascular.

O estudo diz também que comer duas porções de carne vermelha ou processada semanalmente (de fora ficam as aves ou os peixes) está associado a um risco 3% maior para todas as causas de morte.

“É uma pequena diferença, mas vale a pena tentar reduzir a carne vermelha e a carne processada”, aconselha Norrina Allen, professora associada de medicina preventiva da Northwestern que co-liderou o estudo. acrescentando que o consumo de carne vermelha “também está constantemente associado a outros problemas de saúde como o cancro”.

O Fundo Mundial de Pesquisa do Cancro (WCRF) defende que a carne vermelha e processada pode causar cancro e recomenda comer apenas quantidades moderadas de carne vermelha, como carne bovina, suína e cordeiro e pouca carne processada.

Um painel de especialistas que escrevia na The Lancet, em Janeiro, delineou uma “dieta ideal” para a saúde humana e para o planeta que consiste em reduzir para metade o consumo médio global de carne vermelha e duplicar o consumo de nozes, frutas e legumes.

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