Isabel Schnabel é a candidata alemã ao conselho executivo do BCE

A representante da Alemanha é contra a compra de mais dívida pública, mas revela maior abertura ao debate do que outros economistas alemães. A expectativa é que terá um papel importante no BCE liderado por Christine Lagarde.

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Isabel Schnabel, ao centro, entre os outros membros do Conselho Económico Alemão de Sábios LUSA/CLEMENS BILAN

Para ocupar o lugar deixado vago no conselho executivo do Banco Central Europeu após a saída antes de tempo de Sabine Lautenschlaeger, a Alemanha já tem a sua escolha definida. Isabel Schnabel foi, esta quarta-feira, apresentada como candidata e deverá brevemente vir a ser aprovada pelo resto dos executivos dos países da zona euro.

O conselho executivo do BCE é um órgão composto por seis elementos (incluindo o presidente e o vice-presidente do banco), que têm, tal como os governadores dos bancos centrais nacionais da zona euro, direito a um voto cada um nas decisões da autoridade monetária.

Nos estatutos do BCE não é garantido a nenhum país a presença de um representante seu neste órgão, devendo a sua escolha estar unicamente baseada nas qualificações e experiência do candidato. No entanto, um acordo informal entre os Estados membros tem permitido que se mantenha sempre um representante de cada um dos maiores países da zona euro: Alemanha, França e Itália.

Deste modo, quando a alemã Sabine Lautenschlaeger anunciou que iria, mais cedo do que era previsto, abandonar o seu posto no conselho executivo do BCE, numa decisão que foi interpretada como de oposição à opção do banco central de relançamento das compras de títulos de dívida pública, ninguém teve dúvidas que o seu substituto seria alguém com nacionalidade alemã.

A escolha de Isabel Schnabel por Berlim – que deverá com toda a probabilidade ser confirmada pelo Eurogrupo - era considerada uma das mais prováveis e tem sido vista com alguma esperança por quem deseja o estabelecimento de pontes entre a maioria que tem apoiado as políticas expansionistas do BCE de Mario Draghi e a minoria, de que fazem parte os representantes alemães, que consideram que o BCE está a ir longe demais.

Isabel Schnabel faz parte Conselho Económico Alemão de Sábios e Especialistas Económicos e, como seria de esperar, tem manifestado também a sua oposição à recente decisão do BCE de regressar às compras de dívida pública a partir de Novembro. No entanto, parece também revelar uma maior abertura, em comparação quer com Sabine Lautenschlaeger, quer com o presidente do banco central alemão Jens Weidmann, para dialogar com o outro lado.

Por exemplo, não considera que o programa de compra de dívidas vai além daquilo que é o mandato legal do banco central e tem, em diversas ocasiões, criticado os políticos e meios de comunicação alemães por simplificarem em demasiado aquilo que são as políticas do BCE. “O Reino Unido usou a União Europeia como bode expiatório e agora já está quase de fora. A Alemanha não deve usar o BCE como bode expiatório. Os jornalistas e os políticos têm a responsabilidade de rejeitar e corrigir essa narrativa”, escreveu na sua conta do Twitter, numa altura em que Mario Draghi era apelidado de “Conde Draghila” na capa do mais vendido jornal alemão, o Bild, por causa do impacto das taxas de juro negativas nas poupanças dos alemães.

Outra diferença importante entre Isabel Schnabel e Sabine Lautenschlaeger é o facto de a primeira estar mais capacitada tecnicamente para entrar em discussões complexas sobre política monetária, ao passo que a segunda estava mais vocacionada para a área da regulação e supervisão bancária. Isto deverá dar à representante alemã uma maior capacidade de debate e influência quando em causa estiverem decisões, como descidas de taxas de juro ou compras de dívida pública.

Tudo indica, numa altura em que se verificam diversas mudanças na composição do conselho executivo do BCE, que Isabel Schnabel, e através de si o pensamento económico alemão, poderão vir a ter um papel mais relevante no banco central liderado por Christine Lagarde.