The Testaments, a sequela de The Handmaid’s Tale, chega a Portugal no início de 2020

O anúncio surge um dia após a atribuição do prémio Booker a Margaret Atwood precisamente por esta obra que regressa à república puritana de Gilead 15 anos após os acontecimentos de A História de uma Serva.

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Mulheres vestidas como Servas protestavam em 2017 no Capitólio, em Washington JIM LO SCALZO/EPA

The Testaments é o livro que dá sequência ao romance de culto A História de uma Serva e é também a obra que, um mês depois de ter sido editada, deu o segundo prémio Booker a Margaret Atwood. Horas depois da atribuição do galardão literário britânico, que a escritora canadiana recebeu, ex-aequo, com a britânica Bernardine Evaristo, a Bertrand Editora anunciou que o novo livro estará nas livrarias portuguesas em Março de 2020.

A obra chegará a Portugal 32 anos depois da primeira edição de The Handmaid’s Tale, inicialmente traduzida para português como Crónica de uma Serva (Europa-América, 1988) para depois se tornar A História de uma Serva (Bertrand, 2013). The Testaments deverá ter um título em português, indicou fonte da comunicação da Bertrand ao PÚBLICO, que não avançou ainda o nome da pessoa responsável pela tradução da obra.

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Atwood esteve há um ano no Fórum do Futuro, no Porto André Rodrigues

Editado a 10 de Setembro no Reino Unido e EUA, as vendas da primeira semana foram um sucesso: no Reino Unido, em poucos dias foram comprados mais de 100 mil livros e a cada quatro segundos foi vendido um exemplar; nos EUA, foram compradas 125 mil cópias nos primeiros dias, segundo a editora Penguin Random House.

Alvo de críticas entusiásticas — a veneranda Michiko Kakutani, do New York Times, considera-o “arrebatador”, o Guardian classifica-o como “deslumbrante” — e de expectativa por parte dos leitores da escritora canadiana, The Testaments é também uma sequela literária num momento cultural particular. Aquele em que A História de Uma Serva foi adaptado para televisão e produziu uma primeira temporada premiada e atempada (já vai na terceira) porque se viu envolvido pelo momento histórico em que a afirmação dos direitos das mulheres, em particular na área da reprodução, saltou para o primeiro plano da actualidade.

E de repente, a prolífica autora anunciou que iria voltar a Gilead, o mundo que criou em 1985 e onde se passou do modo de vida do século XX para uma sociedade restritiva e puritana em que as Servas são mulheres que se tornam escravas e são usadas por casais com problemas de fertilidade. A sua imagética é forte, saltando das páginas do livro, e tornou-se parte do léxico visual das últimas décadas. A obra centra-se em três personagens, a partir de cujo ponto de vista feminino se dá conta de novas vivências em Gilead. A História de uma Serva é narrado apenas do ponto de vista (limitado fora de casa pelas toucas que toldam a perspectiva e o rosto das Servas) de Offred (ou “de Fred”, carregando a pertença a um homem no anonimato de um nome).

A Bertrand anunciou este lançamento um dia depois da atribuição do Booker a Margaret Atwood, processo envolto em algum dramatismo pelo facto de o júri ter contornado as regras criadas para evitar que se atribuíssem Booker ex-aequo. A decisão final demorou cinco horas a ser tomada e, perante a impossibilidade de um acordo, o júri presidido por Peter Florence dividiu mesmo o prémio em dois e atribuiu-o pela segunda vez a Atwood e a Girl, Woman, Other, de Bernardine Evaristo, que se tornou assim na primeira mulher negra a receber o importante galardão.

Margaret Atwood é autora de mais de 40 livros e distingue-se também como activista pelos direitos das mulheres e pelo ambiente. Recentemente mostrou o seu apoio ao movimento Extinction Rebellion. Esteve há um ano no Fórum do Futuro, no Porto.

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