O livro-sequela de The Handmaid’s Tale vai ser lançado ao vivo nos cinemas de todo o mundo

Margaret Atwood será entrevistada sobre The Testaments num evento especial em Londres que chegará a mil salas de cinema. A História de uma Serva tornou-se num símbolo de resistência feminista 34 anos depois da sua publicação. Ainda não há datas para Portugal.

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Margaret Atwood MARK BLINCH/Reuters
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Manifestantes com os mantos de A História de uma Serva em Washington JIM LO SCALZO/Lusa
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Manifestantes com os mantos de A História de uma Serva na Irlanda CLODAGH KILCOYNE/Reuters
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Manifestantes com os mantos de A História de uma Serva na Argentina Marcos Brindicci/Reuters
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Manifestantes com os mantos de A História de uma Serva este ano na Costa Rica JEFFREY ARGUEDAS/LUSA

Em Setembro, o novo livro de Margaret Atwood vai estar nos cinemas e será uma sequela. Ou melhor: quando chegar a inesperada sequela literária para A História de uma Serva (The Handmaid’s Tale), a escritora canadiana vai assinalar o seu lançamento com uma palestra e conversa ao vivo em Londres e que será transmitida em directo nos cinemas para todo o mundo. Ainda não há datas para Portugal, mas Reino Unido, Canadá, Austrália e EUA já têm sessões marcadas entre as mais de mil previstas.

The Testaments será um acontecimento literário não só pelo que desejam a autora e sua editora, mas também pelo facto de The Handmaid’s Tale ser um livro de culto e de se ter tornado, entre a eleição de Donald Trump, a nova vaga de luta pela igualdade e a estreia da premiada série televisiva homónima (em Portugal está no serviço Nos Play), num símbolo da resistência feminina no século XXI. No final de Novembro de 2018 a própria autora anunciou que está a trabalhar numa nova obra que dá continuidade à história da república de Gilead, uma “ficção especulativa” sobre uma América liderada por um regime totalitário, de inspiração puritana e que exerce controlo total sobre a sua população feminina com base na capacidade reprodutiva. As servas são mantidas em casas de poderosos, escravizadas em torno da sua fertilidade.

Agora, e marcada a data de lançamento da obra nas livrarias – 10 de Setembro de 2019, 34 anos depois da edição de The Handmaid’s Tale –, o dia será assinalado com um evento ao vivo a partir do palco do National Theatre que será transmitido para salas de cinema em vários países. “Estou encantada pelo facto de que o lançamento de The Testaments vá ter lugar não só em Londres a 10 de Setembro, mas também com uma transmissão por streaming ao vivo para mais de mil cinemas em todo o mundo”, diz a autora no site especial criado para The Testaments, que substitui pelo menos para já a iconografia escarlate sob touca branca das servas por verde fluorescente.

“Não posso estar em todos os lugares ao mesmo tempo com o meu corpo analógico, mas posso estar na expectativa de estar com tantos leitores através do grande ecrã”, brinca. A entrevista com Atwood será feita pela locutora britânica Samira Ahmed e abrangerá a carreira da autora de 79 anos e, claro, a sua motivação para voltar ao mundo de A História de uma Serva. Em Novembro, a prolífica autora tinha já informado o mundo de que uma das suas fontes de “inspiração é o mundo em que temos estado a viver”, referindo que a eleição do Presidente actual dos EUA e a forma como a cultura americana, tão impactante no mundo contemporâneo, tem evoluído estão na base da sua escrita.

A história terá lugar 15 anos depois dos acontecimentos de A História de uma Serva, que em Portugal já teve dois títulos — Crónica de uma Serva (Europa-América, 1988) e A História de uma Serva (Bertrand, 2013). The Testaments vai ser narrado por três vozes femininas e a editora, a Penguin Random House, descreve que na sua voz estarão “testemunhos explosivos”.

A História de uma Serva tornou essas mesmas servas, as “handmaids”, “num símbolo dos direitos das mulheres e num protesto contra a misoginia e opressão”, como indica o próprio site de Atwood, com a sua iconografia a ser usada em manifestações pelos direitos reprodutivos das mulheres em países como a Irlanda ou Argentina. A obra foi um sucesso já na década de 1980, tanto no circuito de prémios literários – foi distinguida com o Arthur C. Clarke Award em 1987 e nomeada para o Nebula e para o Booker em 1986 – quanto no mercado. Nos últimos anos, voltou aos tops de vendas em vários países e foi ao encontro de novas gerações de leitores. Só a edição em inglês original já vendeu oito milhões de exemplares.

A conversa ao vivo sobre The Testaments, que também terá alguns convidados especiais que ainda não foram revelados, será seguida por uma digressão de outras presenças de Atwood pelo Reino Unido e Irlanda (26 de Outubro a 2 de Novembro). Margaret Atwood esteve em Portugal em Novembro de 2018 como uma das oradoras principais do Fórum do Futuro.