No Alentejo, a CDU dedica-se ao ambiente e ao combate às alterações climáticas

Entre as propostas avançadas por João Ferreira está a criação do Observatório Europeu da Seca, a instalar numa zona do interior do país, e a integração dos gases com efeito de estufa na directiva que estabelece limites às emissões industriais.

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A CDU dedica o dia ao Baixo Alentejo. Rui Gaudencio

O remoque ao CDS-PP já tinha sido dado na quinta-feira à noite, no comício em Faro, quando João Ferreira criticou os que só em tempo de campanha eleitoral se lembram de ir para as praias apanhar o lixo mas em Bruxelas podiam ter ido mais longe nas medidas previstas na directiva europeia de combate aos resíduos do plástico. Porém, nesta sexta-feira, as questões climáticas e do ambiente ganham espaço efectivo na campanha da CDU, com João Ferreira a apontar propostas concretas nessas áreas e a vincar que os outros partidos nada dizem sobre elas.

Na Vidigueira, ao final da manhã, onde visitou vários serviços camarários — a autarquia é da CDU, mas que governa agora em minoria —, João Ferreira fez o resumo aos jornalistas sobre os temas do dia e desenvolveu-os depois ao almoço, na também comunista autarquia de Cuba, na apinhada Sociedade Filarmónica Cubense.

Das cinco propostas da CDU, a que mais poderá dizer aos agricultores é a da criação do Observatório Europeu da Seca, preferencialmente numa zona do interior português, já que o país tem sido particularmente afectado nos últimos anos. “Era essencial que pudesse reunir competências próprias e saber fazer no domínio técnico e científico, e estabelecer ligações entre centros de I&D de vários países”. E estudasse os “efeitos previsíveis das alterações climáticas sobretudo no domínio da seca nas regiões tipicamente mediterrânicas”, de forma a dar orientações para intervenção nos domínios da agricultura e da floresta.

Também em termos europeus, João Ferreira defende que a directiva que estipula os limites de emissões industriais de poluentes para a atmosfera passe a incluir os gases que provocam o efeito de estufa. Actualmente, estes estão incluídos no mercado do carbono — e são, por isso, alvo de negócio de quotas. O eurodeputado vinca que a “abordagem de mercado” destes gases foi ineficaz e perversa porque as emissões aumentaram em vez de diminuírem.

Elogiando os novos passes sociais intermodais como a “medida de maior alcance no combate às alterações climáticas tomada em Portugal e até na Europa”, o comunista defendeu que a proposta da CDU de alargamento desses passes, no imediato, a todo o país e que se reforcem os meios de transporte para dar resposta ao aumento de procura.

Outra proposta é a dinamização da produção e consumo locais, mas para isso é necessário alterar as políticas agrícolas e comerciais da União Europeia e da PAC – Política Agrícola Comum, de forma a favorecer os modelos da pequena e média agricultura e o consumo local em vez de modelos de agro-exportação e de cariz intensivo.

Por último, João Ferreira insiste na tecla da recuperação progressiva para o domínio público das grandes empresas do sector da energia e combustíveis, como são a EDP e a Galp. Lembrou que foi possível reverter processos de privatização como dos transportes de Lisboa e Porto e da TAP.

Esse controlo público, especificou, serviria para “reorientar o funcionamento do sector, criar condições de aumento da eficiência energética, da incorporação de energias renováveis no conjunto do aprovisionamento e de redução e racionalização do consumo”. Para além da contribuição para os cofres públicos, uma vez que estas empresas estão a consolidar contas noutros países e em paraísos fiscais, fugindo à tributação em Portugal — recursos que podiam ser encaminhados para a investigação e desenvolvimento de tecnologias que permitiriam reduzir a emissão de gases com efeito de estufa, salientou João Ferreira.