PP abre portas a “acordos de Estado” com o PSOE para travar Podemos e catalães

Líder do Partido Popular espanhol foi ao Palácio da Moncloa traçar a sua linha vermelha: se Pedro Sánchez fizer acordos com os independentistas, um possível Governo socialista não tem futuro.

Pedro Sánchez (PSOE) e Pablo Casado (PP)
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Pedro Sánchez (PSOE) e Pablo Casado (PP) Reuters/JUAN MEDINA

O líder do Partido Popular espanhol, Pablo Casado, disse esta segunda-feira que admite fazer acordos com um futuro Governo de minoria socialista, mas apenas se a governabilidade de Espanha “não depender dos independentistas”.

No final de um encontro com o presidente do Governo e líder do PSOE, Pedro Sánchez, Casado garantiu que o seu partido vai votar contra a formação de um executivo socialista, mas não quis responder a uma pergunta feita por vários jornalistas: vai pedir ao Cidadãos que viabilize a tomada de posse de Sánchez, para que a direita impeça uma coligação entre o PSOE, o Podemos e os independentistas da Catalunha?

Pablo Casado foi o primeiro líder a ser ouvido no Palácio da Moncloa por Pedro Sánchez, esta segunda-feira, um dia antes dos líderes do Cidadãos, Albert Rivera, e do Podemos, Pablo Iglésias. Sánchez optou por não ouvir Santiago Abascal, do Vox, um partido da extrema-direita nacionalista e anti-imigração.

O facto de o PP ter ficado em segundo lugar nas eleições de 28 de Abril já dava o direito a Casado de ser considerado o líder da oposição. Mas a forte queda do seu partido em número de deputados (de 137 para 66), e a forte subida do Cidadãos (de 32 para 57), pôs o líder do PP a responder várias vezes à pergunta sobre se a sua posição na lista de reuniões, e a sua presença na sala nobre do Palácio da Moncloa para a conferência de imprensa, indicavam que Sánchez via nele – e não em Albert Rivera – o líder da oposição.

Depois de sublinhar que a liderança da oposição “ninguém a pode dar, nem tirar”, Pablo Casado disse que fará “uma oposição firme mas responsável”. Ou seja, admite fazer acordos com um Governo minoritário e “débil” do PSOE, apoiado por apenas 123 deputados no Parlamento (são precisos 176 para a maioria), mas há uma linha vermelha que Pedro Sánchez não pode ultrapassar: não pode fazer qualquer tipo de acordos com a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC)​, com destaque para uma possível coligação governamental.

Como as contas no Parlamento dizem que os 42 deputados do Podemos e os 15 da ERC seriam suficientes para uma maioria, a estratégia do PP deixa também os socialistas sem um caminho para esse tipo de estabilidade mesmo que aceite coligar-se com a esquerda de Pablo Iglésias – com um total de 165 deputados, os dois partidos ficam a 11 da maioria.

“O Governo não vai contar com o apoio do PP, nem com a abstenção, na tomada de posse, mas isso não significa que não possam ser postos em cima da mesa acordos de Estado”, disse Pablo Casado.

As conversas com os líderes dos outros partidos prosseguem na terça-feira (com a excepção de Santiago Abascal, do Vox), mas Pedro Sánchez já indicou que prefere avançar para um Governo minoritário, com um acordo parlamentar com o Podemos ou com acordos pontuais à esquerda e à direita. Uma solução que não agrada ao Podemos, que insiste em entrar no Governo, mas que pode ser um mal menor para o PP e o Cidadãos – a ex-dirigente popular Esperanza Aguirre apelou ao seu partido e ao Cidadãos que facilitem essa solução, para evitar “a entrada da extrema-esquerda no Governo” espanhol.