Navio de ajuda humanitária ‘preso’ há uma semana no Mediterrâneo

Itália e Malta negam autorização de desembarque a navio de ajuda humanitária. A comida e água, uma semana depois, poderão começar a escassear.

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O navio está desde a semana passada ao largo de Lampedusa à espera de autorização para atracar Reuters/HANDOUT

Um navio de ajuda humanitária com 64 migrantes está, desde quinta-feira, no Mar Mediterrâneo à espera de autorização para atracar, depois de Itália e Malta se terem negado a receber a embarcação nos seus portos. De acordo com a Associated Press (AP) citada pelo Guardian, os migrantes são obrigados a dormir no convés do barco, apesar das condições climatéricas adversas que se fazem sentir na região.

Este é mais um navio de ajuda humanitária sujeito a um impasse diplomático criado pelos dois países, que não chegam a acordo sobre o acolhimento de refugiados.

Carlota Weibl, porta-voz da organização humanitária alemã Sea-Eye disse que o navio está desde quinta-feira ao largo da ilha italiana de Lampedusa. “Não temos ideia de como poderemos desembarcar”, disse a responsável, citada pela AP. “Malta não nos autoriza a entrar nas suas águas e Itália não nos deverá dar permissão.”

Num vídeo publicado na sua conta do Twitter, a Sea-Eye revela que a comida e água começam a escassear a bordo. Num dos vídeos publicados na rede social vê-se uma mulher que se sentiu mal a bordo e que teve de ser assistida pelas autoridades maltesas que foram chamadas ao local. 

O Alan Kurdi, o navio pertencente à Sea-Eye, salvou os migrantes na passada quarta-feira, ao largo da costa da Líbia, quando perderam o contacto com as autoridades líbias. Nesse momento, levavam a cabo uma missão para resgatar outra embarcação com 50 pessoas, desaparecida desde a segunda-feira passada.

Entre os 64 migrantes resgatados, está um recém-nascido e uma criança, afirma a tripulação. Weibl, contudo, disse à AP que o barco é demasiado pequeno para tanta gente e que alguns dos migrantes são obrigados a viver em condições extremas.

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, disse que Itália não aceitará os migrantes e que, dado que o navio é alemão, “deveria ir para Hamburgo.” A porta-voz da organização humanitária considera que isso seria “ridículo”, pois a cidade alemã está longe do Mar Mediterrâneo e seria “uma viagem de três a quatro semanas.” “Não temos comida nem água, por isso está completamente fora de questão”, disse.

Outras situações similares envolvendo navios de ajuda humanitária que não receberam autorização para atracar no porto destes dois países acabaram por ser resolvidas com a intervenção de outros Estados-membros da União Europeia, que aceitaram receber os migrantes.

Em Janeiro, dois navios estiveram à deriva no Mediterrâneo, depois de Itália lhe ter fechado as portas. Portugal foi um dos países europeus que se mostrou disponível para acolher até dez migrantes. 

Carlota Weibl notou ainda que o Alan Kurdi é o único navio de ajuda humanitária a operar no Mediterrâneo, visto que muitos Governos europeus têm negado autorização às embarcações para prestar ajuda.