Há mais de cinco anos à espera de uma ponte pedonal em Belém

Construção da ponte parou em 2013 e voltou a arrancar em 2017, quando se re-inaugurou o Museu Nacional dos Coches. Mas até hoje continua a não ser utilizada.

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A ponte pedonal aparenta estar pronta, mas continua fechada daniel rocha

Quase a assinalar quatro anos aberto ao público, o novo Museu Nacional dos Coches é ainda uma peça incompleta. A ponte pedonal que há-de ligar o museu ao rio, por cima da via-férrea, tarda em estar pronta. Os passageiros da linha de Cascais e dos barcos da Trafaria, bem como lisboetas e turistas que procuram o passeio à beira-Tejo, continuam a usar a velhinha ponte, estreita para tanto movimento.

A ponte pedonal dos Coches até aparenta já estar terminada há vários meses, mas mantém-se sem serventia. Porquê? Em Janeiro, o PÚBLICO perguntou isso mesmo à Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), responsável pela obra. “A ponte pedonal dos Coches sofreu um atraso em relação ao prazo inicialmente previsto devido a questões técnicas que foi preciso resolver, relacionadas com o elevador”, respondeu então a entidade que gere os museus e monumentos do Estado.

Questionada novamente na semana passada, a DGPC não respondeu. Nos últimos dias houve trabalhos na estrutura metálica que servirá de caixa ao elevador, encostada à Avenida Brasília, faltando apurar se o aparelho já está instalado e quando poderá entrar em funcionamento.

Outra pergunta que ficou sem resposta da DGPC diz respeito à acessibilidade da estação ferroviária. Quando finalmente abrir, a nova ponte terá, à semelhança do que já hoje acontece, dois lanços de escadas, impedindo pessoas em cadeira de rodas ou com carrinhos de bebés de chegar à estação.

A nova ponte pedonal começa por baixo do museu, junto à Rua da Junqueira, descrevendo duas ‘curvas’ antes de se estender numa longa rampa. Na esquina entre a Avenida da Índia e a Praça Afonso de Albuquerque surge uma escada em espiral e, mais à frente, escadas para aceder às duas plataformas da estação ferroviária de Belém. A rampa prossegue, passa por cima da Avenida Brasília, tem novo lanço de escadas e elevador em frente ao Museu da Electricidade e termina, com mais duas ‘curvas’, em frente à estação fluvial.

A saga da ponte pedonal já está quase tão longa como a do próprio museu, que foi construído em cinco anos e ficou quase três à espera de ser inaugurado. Pouco antes de abrir o novo equipamento cultural, a DGPC lançou o concurso para a conclusão da ponte, de que já tinha sido construída uma parte. Era Setembro de 2014. O museu abriria em Maio do ano seguinte e seria re-inaugurado dois anos depois, em 2017. Durante esse período, a ponte não avançou.

A 17 de Maio de 2017 deu-se a primeira reunião de obra e começou a contar um relógio de 300 dias para a conclusão dos trabalhos, o que significaria que a ponte devia estar concluída em Março do ano passado. Colocaram-se os pilares de betão, instalou-se a rampa metálica, as escadas e as grades de protecção. Fizeram-se intervenções nas plataformas da estação de comboios. Mas a ponte não abriu, apesar de várias previsões terem sido avançadas entretanto (incluindo uma pelo ex-ministro da Cultura, Castro Mendes).

Na zona de Belém existe uma outra ponte pedonal, que liga a Rua da Junqueira ao Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT) e que também demorou algum tempo a abrir ao público, tendo sido inaugurada com algum desfasamento face ao museu da Fundação EDP. No dia da inauguração do MAAT, a 5 de Outubro de 2016, a ponte existente na estação de Belém teve de ser encerrada pela polícia, tal a quantidade de gente que queria atravessar. Poucos dias depois, o Instituto de Soldadura e Qualidade avaliou a estrutura e chegou à conclusão de que era segura.

A construção do Museu dos Coches foi lançada em 2010 pela então ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, com projecto desenhado pelos arquitectos Paulo Mendes da Rocha e Ricardo Bak Gordon. A obra terminou em 2012 e foi entregue no ano seguinte, mas Jorge Barreto Xavier, à data secretário de Estado da Cultura, optou por só inaugurá-la em 2015 – por falta de dinheiro para manter o museu.