Casas flutuantes com assinatura portuguesa

Startup incubada no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, cria casas de luxo, modulares, que navegam como barcos. Eis a Floatwing.

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Quando deixou de ser reitor da Universidade de Coimbra, Fernando Seabra Santos teve de decidir o que iria fazer a seguir. Tinha um livro para escrever e uma licença sabática para gozar. Andou pelo Brasil e acabou por concluir que o futuro dele passaria pela engenharia civil e pelas actividades náuticas, “juntar trabalho e prazer”. 

Foi nesse contexto que Seabra Santos mobilizou a equipa de uma startup que tinha fundado em Coimbra em 2012, a Friday, para dar corpo a dois novos projectos: queria fazer um submarino que pudesse servir fins turísticos; e queria construir casas flutuantes.

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O submarino “está projectado e certificado” e passará à fase de produção industrial quando houver um financiador, conta o fundador da empresa. Mais avançado está o projecto das casas-barco, que segue em velocidade cruzeiro, com clientes em África, na China e em França. Em Portugal, a Friday – Ciência e Engenharia do Lazer, entra no fim de Março numa nova fase, com o início de uma campanha de marketing que a levará a abrir as portas de uma residência flutuante no Douro. 

Muita água passou por baixo da ponte antes de chegar aqui. Após três anos de testes de um protótipo da casa-barco nas águas de Alqueva, a empresa de Seabra Santos vai mostrar ao país e à imprensa estrangeira a casa Floatwing. Quem lê a Nomadic Homes, publicada pela Taschen, já deve conhecer a Floatwing, porque a influente editora alemã elegeu-a como uma das casas-flutuantes mais bonitas do mundo (PDF aqui). A escolha foi do editor da Nomadic Homes, Philip Jodidio, um reconhecido divulgador da arquitectura moderna.

Durante os dois anos de incubação no Instituto Pedro Nunes, a Friday foi amadurecendo ideias. A Portugal Ventures, que gere um fundo público de investimento em startups, foi um dos investidores que acreditaram no projecto. Nem Seabra Santos nem a Portugal Ventures revelam quanto dinheiro investiu o fundo público na Friday, mas o líder da empresa garante que esta participação foi “decisiva” para materializar a visão que tinha. “Formei-me em engenheiro civil, fiz mestrado em mecânica dos fluidos e doutorei-me em oceanografia física. Sempre pratiquei desportos náuticos. A água é uma das minhas paixões.”

A Floatwing que esteve atracada na Amieira Marina e que agora se encontra da marina de Resende à espera de clientes é apenas um exemplo do que a Friday pode fazer. Com capacidade para construir cinco casas do género por ano, a empresa sediada em Coimbra espera encontrar parceiros para explorar comercialmente este tipo de solução para fins turísticos. Se isso não acontecer, admite Seabra Santos, a própria Friday poderá equacionar fazer a exploração destas casas-barco, mas a missão da empresa não passa por aí. O que a Friday pretende é consolidar-se como um fornecedor global de residências flutuantes de qualidade premium, para particulares ou privados.

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Os interessados podem encontrar mais informação no site da Friday. E até podem fazer reservas online para o próximo Verão. Os preços variam entre os 300 e 500 euros por dia, com direito a tudo, incluindo transporte desde o aeroporto, caso necessário, catering a bordo, skipper para passeios turísticos nos 200km de canal navegável entre o Porto e Barca de Alva.

O preço não é para todos (a aquisição pode ir dos 74 mil aos 270 mil euros). Mas quem equaciona esta hipótese deve saber que, em contrapartida, desfrutará de uma casa modular, totalmente personalizável e que pode ser despachada de um local para outro em contentores, por exemplo. A concepção arquitectónica, desenvolvida pela Friday (que trabalha com o arquitecto Pedro Brígida para atender a pedidos específicos de clientes), permite detalhes que podem justificar o preço.

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Uma Floatwing produz 80% da própria energia graças a painéis térmicos e fotovoltaicos, tem autonomia para sete dias, dispõe de tratamento de águas residuais e tem dois motores fora de bordo, que lhe permitem navegar até uma velocidade máxima de cinco nós. Como tem apenas 0,7 metros de calado, chega praticamente a todo o lado, mesmo em águas pouco profundas. E um motor de proa facilita as manobras.

A largura de qualquer casa produzida pela Friday é sempre de seis metros. Já o comprimento varia entre os 10 e os 18 metros. A casa que está no Douro tem 14 metros de comprimento, o que lhe permite ter uma sala de 25 metros quadrados, cozinha totalmente equipada, casa de banho completa, dois quartos, um com cama de casal e outro com beliche, deck solário e terraços grandes. O fabrico é todo português, com materiais que vão da cortiça ao pinho.

Fica a dúvida: porquê Friday para nome da empresa? Responde Seabra Santos: “Porque é o dia mais interessante da semana, aquele em que tudo é ainda possível.”

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