António Costa fala em “corrida de soundbites” e recebe resposta do PSD

Líder do PS lamentou que PSD tenha relegado para o sétimo lugar aquele cujo trabalho é mais invisível” mas “mais importante”.

António Costa na conferência do PÚBLICO
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António Costa na conferência do PÚBLICO LUSA/Ricardo Castelo\Nfactos

É ao fim-de-semana que os partidos reforçam as suas agendas e apostam no contacto com os cidadãos, sobretudo em período próximo de eleições. Neste sábado, António Costa esteve em Matosinhos, num encontro com militantes, e acabou a falar sobre as europeias. Recusou “uma corrida de soundbites e ataques pessoais”, recuperando o que havia dito na tarde anterior, no Porto, na conferência sobre a Europa que o PÚBLICO organizou. Aí, o primeiro-ministro lamentou que Carlos Coelho, nome que não referiu, vá em sétimo lugar na lista do PSD.

“Muitas vezes, aquele trabalho que é o mais invisível é o mais relevante. E é por isso que vejo numa das listas candidatas um dos deputados que mais trabalho faz há mais anos no Parlamento Europeu aparecer em sétimo lugar na lista (potencialmente não elegível), enquanto vejo outros, seguramente com melhores soundbites mas muito menos trabalho efectivamente produzido, mais bem colocados.”

A concelhia do PSD de Lisboa ouviu as palavras do líder do PS e não o deixou sem resposta. Ontem, em comunicado, Paulo Ribeiro reagiu com ironia. “A concelhia de Lisboa do PSD subscreve o que disse o secretário-geral do PS (...) e confia que, nas eleições europeias, os portugueses darão razão ao secretário-geral do PS, garantindo a vitória do PSD e a eleição do deputado Carlos Coelho.”

A estrutura social-democrata lembra ainda que o secretário-geral do PS que assim fala sobre um candidato do PSD “é o mesmo que deixou de fora da lista dos socialistas os deputados Francisco Assis, Ana Gomes e Maria João Rodrigues”. 

Paulo Ribeiro, que lidera a concelhia laranja, pergunta a António Costa se estes três eurodeputados “foram excluídos por terem muito melhores soundbites mas menor trabalho produzido” e questiona se o número um da lista, “Pedro Marques, que enquanto ministro foi responsável por colocar Portugal em 7º lugar no ranking da execução dos fundos comunitários, foi escolhido pelo trabalho relevante.” A esta frase, Rui Rio acrescentou que o cabeça de lista do PS “não foi a melhor escolha”. 

“Se uma das bandeiras da esquerda era aumentar investimento público e ele diminuiu, o ministro que tutela o investimento que não se realizou não é a melhor escolha para levar a eleições. É natural que seja atacado por isso. Mal fora se os adversários não vierem mostrar as [suas] falhas”, observou Rui Rio à margem do fórum autárquico distrital do Porto.

“O PS não foi muito feliz na escolha dos seus candidatos, particularmente do seu cabeça de lista. Enquanto governante, [Pedro Marques] teve uma performance muito fraca naquilo que tutelava, que era o investimento público”, acrescentou.

A campanha continua neste domingo, com Rui Rio e Paulo Rangel presentes no momento da colocação do primeiro outdoor de campanha no Porto.

O cartaz terá como lema a frase “Marcar a diferença em Portugal e na Europa”, um slogan que foi escolhido para sintetizar a ideia de que a candidatura do PSD é uma mais valia em relação às restantes”, assume o partido. com Lusa