Queda de motor de automotora na linha do Minho está a ser investigada

Gabinete de Investigação entendeu que o incidente poderia ter resultado num acidente grave e resolveu investigar. Já em 2013 tinha sido detectado um problema idêntico numa automotora espanhola que estava prestes a sair da oficina.

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Nelson Garrido

O Gabinete de Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) decidiu abrir uma investigação à “ocorrência relativa a avaria na cadeia cinemática da UTD 592.060 resultando no desprendimento e queda de componentes à via, com a consequente imobilização do comboio”. Trata-se, por outras palavras, da automotora da qual se desprendeu um dos motores que veio arrastado pela linha debaixo da composição.

O caso aconteceu no dia 31 de Janeiro, na linha do Minho, e não teve quaisquer vítimas, para além de danos materiais, mas o GPIAAF optou por abrir uma investigação por entender que o episódio, “em circunstâncias ligeiramente diferentes, poderia ter conduzido a acidente grave”.

De acordo com a directiva comunitária que cria os gabinetes de investigação ferroviários, estes só são obrigados a abrir inquéritos a acidentes dos quais resultem pelo menos um morto ou cinco feridos graves e desde que ocorridos dentro do sistema ferroviário (o que exclui suicídios e a maioria das colhidas em passagens de nível), ou ainda se os prejuízos forem superiores a dois milhões de euros.

No caso em apreço, embora não se cumpra nenhum destes critérios, o gabinete decidiu investigar o sucedido por entender que as conclusões podem ajudar a melhorar o sistema ferroviário. De acordo com a legislação, o GPIAFF não tem como objectivos apurar responsáveis ou culpados, mas tão só contribuir para a melhoria da segurança.

Foi também por este motivo que o mesmo gabinete decidiu abrir uma investigação ao Alfa Pendular Lisboa–Braga que no dia 11 de Setembro circulou entre Aveiro e Porto com risco de descarrilamento por o rolamento da caixa de eixos ter gripado e fundido o veio de transmissão no qual assentam as rodas.

No caso de Afife, a automotora que perdeu o motor poderia ter igualmente descarrilado.

Segundo a CP, foi necessário procurar na via férrea uma parte do veio de transmissão que se partiu, mas este já foi encontrado e vai ser objecto (tal como a parte que ficou agarrada à automotora), de “análise metalográfica no sentido de identificar a causa da fractura do referido veio”.

A mesma fonte oficial da transportadora disse ao PÚBLICO que “os veios das unidades do parque UTD 592 são objecto de análise por magnetoscopia em intervenções realizadas com a periodicidade de 108 mil quilómetros, tendo sido realizada em Outubro passado a verificação correspondente do veio que agora registou fractura”.

A CP diz ainda que a EMEF e a Renfe (empresa que alugou as automotoras a Portugal) “estão a trabalhar conjuntamente para determinar as causas da avaria”.

Nesse processo, as verificações por magnetoscopia serão decisivas para detectar indícios de fissura.

O PÚBLICO apurou que já em Janeiro de 2013 foi detectado um problema idêntico numa automotora da mesma série pouco antes de a composição sair das oficinas de Contumil (Porto) para fazer serviço comercial.