Por trás do The Mask há um cabaret que quer trazer Las Vegas e Paris ao Porto

O clube quer afirmar-se como um espaço para um público heterogéneo, tendo como pano de fundo a sensualidade. “Isto é um cabaret de luxo. Não queremos tornar isto uma casa de strip

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Os espectáculos de cabaret burlesco são uma das apostas do The Mask Paulo Pimenta
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Por detrás de uma máscara, com um capuz e uma capa a deixar por revelar quem acaba de subir ao palco, esconde-se uma das atracções de uma das longas noites do novo espaço nocturno da zona industrial do Porto, que, durante vários anos, antes de a movida portuense se ter fixado na Baixa, há cerca de uma década, foi pólo agregador de grande parte das discotecas da cidade.

Ouve-se uma voz a entoar versos "swingados", enquanto a identidade da protagonista se mantém incógnita. Entre movimentos sensuais, ao som de uma melodia jazzy, vai-se revelando a face de um vulto que vai percorrendo o palco em passos langorosos e sedutores, ao mesmo tempo que espalha graça.

Na sala, quem assiste vai aplaudido os movimentos e as notas mais altas que aquela voz atira. De cima do palco, encoraja-se todo o incentivo que vem de baixo.

Desvenda-se o mistério. Já sem capuz, sem capa e sem máscara, vislumbra-se Lady Myosotis, quase há uma década um dos poucos nomes nacionais do cabaret burlesco e parte integrante da Lisbon Underground Burlesque, com base na capital, onde, ainda que a passos tímidos, se concentra este género popularizado entre a segunda metade do século XIX e a primeira do século XX.

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Os espectáculos de cabaret burlesco são uma das apostas do The Mask Paulo Pimenta

É neste tom, entre a comédia e o erótico, que o The Mask, que abriu portas no final do ano, na Avenida Fontes Pereira de Melo, o mesmo local onde funcionou a discoteca La Movida, que pouco tem a ver com esta nova proposta, quer mover-se - entre dois universos, o do cabaret e o do striptease.

Está aberto todas as noites, entre as 23h e as 5h, com uma área bruta de aproximadamente 1200 metros quadrados, a contar com os camarins. No dia em que a Fugas visita o espaço, na primeira semana de Fevereiro, é lá que ao início da noite se preparam as mais de vinte bailarinas residentes, de várias nacionalidades, que animam a noite, com cerca de duas dezenas de espectáculos sensuais que decorrem até o espaço encerrar, já de manhã.

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Dois pisos – um reservado a VIP – onde predomina o veludo dos tapetes e cortinas, a pele dos sofás e os vidros negros e os mármores das paredes, o espaço foi redesenhado pelo arquitecto Miguel Diogo, que, de acordo com os responsáveis pelo bar, acumula experiência na abertura de outros estabelecimentos do género.

No patamar de cima, na área reservada, há outra sala, decorada ao mesmo estilo, para ser usada exclusivamente por quem prefere estar no recato de uma divisão, igualmente com vista para o palco, sem que seja visto.

Naquela noite, até sairmos do espaço, não foi ocupada. O público que visitou o clube, homens e mulheres – alguns casais -, flutuava entre os sofás e os bancos dos dois bares, um em cada piso, com uma carta de bebidas composta por whisky, vodka, gins, com uma média de preços entre os 10/12 euros, cujo consumo se soma aos 20 euros de entrada.

O som ambiente a cargo de dois DJ residentes, entre a house music e o chill out, é interrompido várias vezes durante a noite nas alturas em que decorrem os espectáculos levados a cabo pelas bailarinas, que vão circulando pela casa.

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As animadoras podem ser convidadas para uma dança privada numa das cerca de 20 salas do bar reservadas para o efeito.

O director do projecto, Pedro Peleias, considera, apesar desta componente e dos vários espectáculos em que as bailarinas tiram a roupa de forma sensual, ser redutor rotular o espaço como um “simples clube de strip”.

Afirma não ser esse o propósito, ainda que também se alie a essa modalidade. O The Mask quer trazer para o Porto “o ambiente de Las Vegas e de Paris”. “Isto é um cabaret de luxo. Não queremos tornar isto uma casa de strip”, afirma o responsável do espaço, que abriu fruto do investimento de parceiros internacionais, que diz preferirem manter-se no anonimato.

Convidadas especiais desta noite foram Lady Myosotis e Manu de la Roche, que se enquadram no conceito de cabaret burlesco. A primeira segue a via mais tradicional do género e a segunda a mais moderna, dizem-nos no camarim, antes do espectáculo começar, sublinhando que em Portugal este género começa a conquistar mais espaço. Em Lisboa, o Maxime era a casa de eleição. Hoje, o burlesco estendeu-se até ao Ferroviário, ao Titanic e ao Clube Royale.

No Porto, dizem haver espaço para “esta arte” se afirmar. Na noite anterior, Lady Myostis tinha passado pelo clube de rock Barracuda, onde actuará todos os meses. Com o The Mask, há mais uma porta que se abre: “É uma vantagem existir um espaço dedicado especificamente ao género."