Parlamento condena morte de manifestantes na Venezuela. Bloco, PCP e PEV votam contra

Comunistas e ecologistas ficaram sozinhos a ouvir apupos e berros de "vergonha" quando se levantaram a defender o seu voto de condenação da "operação golpista e da campanha de desestabilização e agressão" contra a Venezuela.

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Reuters/ANDRES MARTINEZ CASARES

A situação política e social na Venezuela voltou a cavar uma trincheira no plenário da Assembleia da República entre o BE, PCP e PEV por um lado, e o resto dos partidos por outro, com dois votos que condenam a violência dos últimos dias e um outro voto (dos comunistas) contra a "campanha de desestabilização" de que o país está a ser alvo por outros Estados.

Foi aprovado um voto proposto pelo PSD e pelo CDS de pesar e condenação pela morte de manifestantes na Venezuela com os votos a favor de todos os partidos excepto do Bloco, PCP e PEV, que votaram contra. A seguir, o voto apresentado pelo PS de "solidariedade pela resolução pacífica e democrática da situação na Venezuela" teve também o apoio do PSD, CDS e PAN, mas o Bloco absteve-se e PCP e PEV votaram contra.

Por último, foi rejeitado o voto apresentado pelo PCP, de "condenação da nova operação golpista e da campanha de desestabilização e de agressão contra a Venezuela que atinge o seu povo e a comunidade portuguesa neste país".

Quando todos os deputados comunistas e ecologistas se levantaram sozinhos para defender este voto (o Bloco absteve-se), as bancadas do PS e da direita fizeram grande barulho e gritaram "vergonha!". E, perante o anúncio de Ferro Rodrigues do chumbo do voto, irrompeu uma sonora salva de palmas na sala e o presidente teve que pedir calma aos deputados.

No voto do PSD e CDS, além de afirmar o seu pesar pela morte de manifestantes, o Parlamento português apela a uma "resolução pacífica" do conflito que "salvaguarde a segurança" da comunidade portuguesa no país, que "respeite e reconheça o mandato democrático da Assembleia Nacional e do seu Presidente Juan Guaidó e que reponha a normalidade democrática através da realização de eleições livres na Venezuela".

O voto proposto pelos socialistas considera que a actual situação política, económica e social na Venezuela é "insustentável" e, além de condenar a violência e reconhecer a importância das medidas de apoio à comunidade portuguesa, defende que a solução para o conflito político actual é a realização de eleições.

O texto do PCP é especialmente crítico tanto da solução interna de Juan Gaidó como Presidente interino como da pressão dos Estados Unidos (que os comunistas culpam pelos problemas económicos venezuelanos) e da União Europeia para que sejam marcadas novas eleições.

Os comunistas queriam que o Parlamento condenasse a "operação golpista, o bloqueio, o confisco de bens e as reiteradas ameaças de intervenção militar por parte dos EUA" e que aconselhasse o Governo a "assumir uma postura soberana que se paute pela rejeição e não alinhamento com a escalada de ingerência e agressão" dos EUA e Bruxelas.