Aguiar-Branco diz que bancadas do PSD foram sempre “leais” às direcções

Deputado despediu-se esta manhã do Parlamento após ter pedido renúncia ao mandato.

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Aguiar Branco com Ferro Rodrigues Daniel Rocha

O deputado do PSD José Pedro Aguiar-Branco despediu-se esta manhã da Assembleia da República, deixando um alerta contra o risco de os parlamentares se tornarem “funcionários públicos”. O ex-ministro da Defesa no anterior Governo anunciou a sua saída do Parlamento assumindo as suas divergências com o líder do PSD, Rui Rio, e justificou a renúncia ao mandato para deixar claro o seu desprendimento com os “lugarzinhos”.

Na hora do anúncio da renúncia do deputado, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, lembrou que vê o antigo ministro da Defesa do anterior governo PSD/CDS como uma “pessoa cordata” e que é com um “certo lamento” que olha para a sua saída do Parlamento. Numa breve intervenção no plenário, Aguiar-Branco recordou que liderou a bancada do PSD "foi sempre fiel aos eleitores" e que “foi sempre leal a lideranças do partido, todas”.

O ex-ministro, que tinha preparado uma intervenção em plenário mas que não conseguiu fazer por razões regimentais, deixou uma mensagem sobre o que é ser deputado. “É mais do que uma profissão e muito menos um emprego”, disse, salientando a “relação de mandato com os eleitores” e que qualquer alteração de estatuto não deve levar a que os deputados se tornem “funcionários públicos”.

Aguiar-Branco recordou que foi deputado durante 14 anos e que liderou com “honra” a bancada do PSD entre 2009 e 2010, referindo os nomes dos líderes das restantes bancadas na altura: José Manual Pureza (BE), Bernardino Soares (PCP), Francisco Assis (PS), e Pedro Mota Soares (CDS). “Todos deputados de referência que muito honraram os grupos parlamentares a que pertencem”, disse. No final da intervenção, os deputados do PSD e do CDS bateram palmas de pé, à esquerda houve palmas no PS e de José Manuel Pureza. A bancada do PSD não interveio.