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Merkel avalia fusão do Deutsche Bank e Commerzbank

Financial Times diz que o ministro alemão das Finanças não exclui em definitivo uma concentração entre os dois bancos. Acções do Deutsche Bank continuam em queda.

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O Deutsche Bank está a ser investigado por ter ajudado clientes a criar contas em paraísos fiscais Reuters/RALPH ORLOWSKI

O governo de Angela Merkel pediu à autoridade de supervisão bancária alemã BaFin para partilhar os resultados de uma análise à possível fusão entre o gigante Deutsche Bank e o concorrente Commerzbank, avança o Financial Times citando fontes que conhecem o dossier.

Apesar de o gigante alemão ter passado nos exames europeus sobre a resistência do capital a cenários extremos (com um rácio de 13,5%), a situação do Deutsche Bank, tem estado sob os holofotes dos analistas, perante os relatos de problemas financeiros e a queda das acções em 2018 na ordem dos 50%.

As tentativas de fusão com o Commerzbank, detido em 15% pelo Estado alemão, falharam em Setembro, mas recentemente as duas instituições terão voltado à mesa das negociações. O Financial Times escreve que o ministro alemão das Finanças e vice-chanceler, Olaf Scholz, não exclui definitivamente uma fusão, ainda que o presidente não executivo do Deutsche Bank tenha aparecido na recta final de 2018 a afastar a necessidade de o banco recorrer a “ajuda estatal” ou de entrar num “movimento de concentração”.

Segundo o FT, entre Maio e Dezembro do ano passado responsáveis políticos tiveram 23 reuniões com o chairman do Deutsche Bank, o presidente executivo do banco e outros gestores de topo. Encontros em que, segundo respondeu o ministério das Finanças alemão a uma pergunta de um deputado dos Verdes, foram discutidas “opções estratégicas”.

Uma fusão entre as duas instituições bancárias criaria o terceiro maior banco da Europa, depois do britânico HSBC e do francês BNP Paribas. Uma análise do S&P Global Market Intelligence, baseada no total dos activos, coloca o Deutsche Bank em quarto lugar do ranking, a seguir àqueles dois grupos e ao Crédit Agricole. O Commerzbank surge em 23.º. Uma concentração criaria um grupo com activos na ordem dos dois biliões (milhões de milhões) de euros: 1,47 biliões de euros do Deutsche e 452,5 mil milhões do Commerzbank.

Nesta quinta-feira, as acções do Deutsche Bank  na Bolsa de Frankfurt estão a cair 3,13% (cerca das 12h30 em Lisboa) tanto quanto recuam as do Commerzbank, (3,19%), num dia em que as praças europeias Frankfurt, Paris, Amesterdão, Bruxelas estão em quedas inferiores a 1%.

A 28 de Junho de 2018, soube-se que a unidade norte-americana do Deutsche Bank chumbou nos testes de resiliência efectuados pela Reserva Federal.

A adensar os receios em relação ao maior banco alemão está também a investigação das autoridades às suspeitas de lavagem de dinheiro destapadas pelos Panama Papers, num caso em que funcionários do banco terão ajudado clientes a criar contas em paraísos fiscais para movimentaram dinheiro de actividades criminais.

Os escritórios e dependências do Deutsche Bank em Frankfurt e nos arredores da cidade foram alvo de buscas no final de Novembro por cerca de 170 agentes da polícia, procuradores e inspectores tributários. Segundo a Reuters, só em 2016, mais de 900 clientes foram atendidos por uma subsidiária do banco registada nas Ilhas Virgens Britânicas, gerando um volume de 311 milhões de euros.

Não é o único inquérito que envolve o banco alemão. Um outro procura apurar o envolvimento da instituição no caso de lavagem de dinheiro e violação das regras de combate ao branqueamento de capital no dinamarquês Danske Bank, o 22.º banco em activos na Europa.

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