Calçado português destina 18 milhões à promoção externa

Duas centenas de empresas vão integrar ofensiva promocional nos mercados externos. Dois milhões serão destinados à promoção das marcas, diz a APICAPPS.

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Marco Duarte/Arquivo

Portugal exportou 85 milhões de pares de sapatos em 2018, um crescimento de 2,4% face ao ano anterior. Mas o sector acabou por facturar menos 2,85% do que em 2017, fechando o ano com vendas ao exterior de 1904 milhões de euros. Foi "um ano atípico" em que exportaram mais pares mas facturaram menos, como o PÚBLICO já deu conta. E por isso, os industriais representados pela APICCAPS vão tentar inverter este cenário em 2019, com uma ofensiva promocional que vai custar 18 milhões de euros.

Não vai ser fácil, admitem os responsáveis da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos. As previsões de conjuntura para o ano que está a começar não são as melhores e a concorrência de países como Itália e Espanha, que passaram pelo mesmo tipo de resultados "agridoces" como Portugal, continuará a ser forte. Daí que o sector volte a apostar numa forte presença portuguesa nos principais eventos da especialidade, destinando 16 milhões de euros à representação portuguesa em mais de 15 mercados e mais dois milhões de euros para promover marcas lusas durante todo o ano.

PÚBLICO -
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Luís Onofre, presidente da APICCAPS Nelson Garrido

O plano de investimentos foi revelado nesta segunda-feira, a cerca de um mês de distância da principal feira de calçado do mundo, a MICAM, que se realiza entre 10 e 13 de Fevereiro, em Milão. Será uma espécie de pontapé de saída de uma estratégia de promoção apoiada nas verbas comunitárias do programa Compete 2020 e que vai envolver mais de duas centenas de empresas.

Para a associação, liderada por Luís Onofre, 2019 tem de ser "o ano da afirmação do calçado português nos mercados externos", mas também "um ano de crescimento das vendas ao exterior, de diversificação de mercados de destino e do leque de empresas exportadoras".

A fatia destinada às marcas, "será particularmente abrangente". "Abordará áreas críticas como a concepção e o registo de marcas e patentes, o investimento em publicidade e a contratação de assessorias de comunicação no exterior". A par disto, o sector elege ainda "o universo digital" como prioridade, investindo em "marketing digital, criação de sites e lojas online".

Em termos da balança com o exterior, Portugal tinha importado 58 milhões de pares, em 2017, num valor de 703 milhões de dólares, contra vendas ao exterior de 83 milhões de pares valendo 2200 milhões de dólares.