“Obrigado, Kim Jong-un”: Coreia do Norte devolve restos mortais de 55 soldados norte-americanos

Não é a primeira vez que a Coreia do Norte devolve aos EUA restos mortais de soldados, mas o processo tinha sido interrompido em 2005, quando as relações entre os dois países ficaram mais tensas.

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Os restos mortais serão agora submetidos a avaliação forense LUSA/KIM HONG-JI / POOL
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A Coreia do Norte devolveu o que se acreditam ser os restos mortais de 55 soldados norte-americanos mortos na Guerra das Coreias. É o cumprimento de uma promessa feita na cimeira entre os líderes dos EUA e da Coreia do Norte em Singapura. 

A devolução acontece numa data simbólica: há 65 anos era assinado o armistício que suspendeu o conflito armado entre o Norte e o Sul (1950-1953).

Os restos mortais foram transportados num avião da Força Aérea norte-americana, que aterrou na Base Aérea de Osan, na Coreia do Sul, transportando 50 urnas de madeira com restos mortais de vários soldados. 

As urnas serão agora transportadas para o Havai. Acredita-se que no total tenham sido devolvidos os restos mortais de 55 soldados, que vão ser  submetidos a uma avaliação forense para determinar as respectivas identidades. O processo poderá prolongar-se durante anos.

No total, mais de 326 mil norte-americanos lutaram, integrados num contigente da ONU, ao lado de sul-coreanos contra o Norte. Estima-se que os corpos de mais de cinco mil soldados continuem na Coreia do Norte. Acredita-se que partes deles estejam em campos de batalha, cemitérios militares temporários, campos de guerra onde eram deixados os prisioneiros e na zona desmilitarizada que separa os dois países.

“Depois de tantos anos, este é um grande momento para muitas famílias. Obrigado, Kim Jong Un”, escreveu no Twitter o Presidente Donald Trump. Já antes a Casa Branca tinha emitido um comunicado a assinalar o que chamou de “momento para uma mudança”. Washington diz que garantirá que os restos mortais serão entregues “com dignidade para que as suas famílias os possam receber com honra”.

A Coreia do Sul também reagiu ao gesto diplomático, que considerou “um símbolo de um processo que pode contribuir para melhorar a relação entre Pyongyang e Washington”.

Mais de seis décadas depois de ter sido assinado o armistício, as duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que nunca foi assinado um acordo de paz. Em Abril, os líderes das duas Coreias, Kim Jong-un e Moon Jae-in, encontraram-se na zona desmilitarizada e fizeram uma promessa de paz e de “total desnuclearização” da península.

Em 2000 e 2007 também houve declarações das duas Coreias nesse sentido, mas Pyongyang e Seul não chegaram a acordo. Os EUA informaram que tencionam contribuir para a assinatura da paz entre os dois países vizinhos. Para isso, a Coreia do Norte terá de dar provas sobre o prometido processo de desnuclearização. No entanto, ainda esta quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou no Senado que Pyongyang continua a produzir material para bombas nucleares.

Também não é a primeira vez que a Coreia do Norte entrega restos mortais de soldados norte-americanos. Entre 1990 e 2005 foram devolvidos os restos mortais de 300, diz o site de informação do Governo sobre prisioneiros de guerra e desaparecidos em combate Defense POW/MIA Accounting Agency citado pela Reuters. No entanto, com a deterioração das relações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte este processo foi suspenso.