Jordânia diz que há cessar-fogo no Sul da Síria, EUA não confirmam

Responsáveis jordanos e israelitas dizem que não deixarão entrar sírios em fuga dos combates. São cerca de 120 mil.

Mais de 12 mil pessoas fugiram dos bombardeamentos em Deraa
Foto
Mais de 12 mil pessoas fugiram dos bombardeamentos em Deraa ALAA AL-FAQIR/Reuters

A Jordânia diz que há um acordo de cessar-fogo em Deraa, no Sul da Síria, onde uma ofensiva militar das forças do Presidente Bashar al-Assad e seus aliados russos levou dezenas de milhares de pessoas a fugir.

O Departamento de Estado norte-americano diz não ter condições para confirmar a existência deste cessar-fogo e a situação permanece "grave", diz a Reuters, com a perspectiva de uma crise humanitária numa região sensível, junto à fronteira com Israel.

Há relatos de cerca de 50 mil pessoas junto à fronteira da Síria com a Jordânia, segundo a ONU. No total, 120 mil sírios foram deslocados pelos combates. Amã diz que não receberá mais pessoas. A Jordânia tem registados 655.624 refugiados sírios (dados do final de 2017) e é dos países do mundo que mais tem refugiados em proporção à população. 

Israel avisou que apesar de enviar ajuda aos deslocados que estão do lado sírio dos Montes Golã, não lhes permitirá entrar no seu território.

Enquanto da Jordânia vinham notícias do cessar-fogo, no local responsáveis diziam à Reuters que os bombardeamentos continuavam, incluindo sobre hospitais. “A situação é muito má”, disse um habitante por telefone. 

O movimento xiita libanês Hezbollah, aliado de Assad, prometeu uma “grande vitória” em breve no Sul da Síria. 

Da Jordânia, por outro lado, um responsável disse à Reuters que se confirmava um cessar-fogo entre as forças de Assad e os rebeldes, a que tinha aludido a porta-voz do governo Jumana Ghunaimat.  

Depois de vários sucessos nos últimos dois anos de uma guerra que dura já há mais de seis, o regime de Assad focou-se no Sudoeste. A região tem grande importância simbólica porque Deraa foi onde começaram os protestos, pacíficos, contra o regime em 2011, e também prática, já que tem fronteiras com a Jordânia e Israel. Isto apesar de avisos dos EUA de que esta acção teria “repercussões graves”, após um acordo de “diminuição de tensão” entre EUA, Rússia e Jordânia.