Kim continua disponível "onde e quando" Trump quiser

“Queremos reiterar junto dos EUA que estamos mais do que abertos a resolver os problemas a qualquer hora e de qualquer maneira”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Kim Kye Gwan.

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KCNA/via REUTERS

As condições para uma reunião entre os EUA e a Coreia do Norte eram claras e incluíam uma promessa, por parte da Coreia do Norte, de suspensão de testes nucleares e destruição das instalações usadas para os ensaios nucleraes. Kim Jong-un “cumpriu a sua parte”, considera o Presidente russo, Vladimir Putin, numa conferência de imprensa conjunta com Emmanuel Macron, ao comentar o cancelamento da cimeira EUA-Coreia do Norte, por iniciativa de Donald Trump. Ainda assim, Pyongyang – que destruiu (parcialmente) o seu local de testes nucleares – acredita que nada está perdido.

Depois de Trump escrever a Kim Jong-un alegando que "não é apropriado, neste momento" reunir-se com o líder norte-coreano Kim Jong-un, em Singapura, a 12 de Junho, como havia sido negociado, a Coreia do Norte surgiu horas depois com declarações que mantêm a porta aberta para o diálogo.

Na carta, Trump escrevia: "Se mudar de ideias em relação a esta importante cimeira, por favor não hesite em escrever-me ou telefonar-me." E foi nesse sentido que o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Kim Kye Gwan, apostou. De acordo com a agência noticiosa oficial da Coreia do Norte, a KCNA, Kim Jong-un continua disponível para resolver os problemas com os EUA “onde e quando” o presidente norte-americano quiser.

“Defendemos os esforços do Presidente Trump, sem precedentes, de criar uma cimeira histórica entre os EUA e a Coreia do Norte”, escreveu Kim Kye Gwan em comunicado. “Queremos reiterar junto dos EUA que estamos mais do que abertos a resolver os problemas a qualquer hora e de qualquer maneira”, escreveu, citado pela Reuters.

A decisão da Administração norte-americana foi motivada por declarações norte-coreanas. Na quarta-feira, Pyongyang ameaçou retirar-se da cimeira de 12 de Junho e lembrou, uma vez mais, o seu poderio nuclear. Seguiram-se os comentários da vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, Choe Son-hui, que chamou "idiota" ao vice-Presidente dos EUA, Mike Pence, palavras que, de acordo com a CNN, enfureceram Trump e os conselheiros mais próximos. 

Na sequência dessas declarações, muito se especulou sobre se a reunião entre os dois líderes estaria em risco. O cancelamento viria a confirmar-se horas depois, com a carta de Donald Trump. 

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, viria a esclarecer mais tarde que as tentativas de contacto por parte dos EUA nos últimos dias saíram goradas e que a Administração Trump achou, por isso, que a cimeira não seria bem sucedida, escreve a Reuters.

O cancelamento da cimeira Kim-Trump foi lamentado um pouco por todo o mundo. Na Coreia do Sul a notícia foi recebida com estupefacção e o Governo sul-coreano afirmou estar a "tentar perceber qual é a intenção do Presidente Trump e qual o seu real significado". O Governo britânico admitiu também estar desapontado com o cancelamento da reunião, que tinha como tema a desnuclearização da Península da Coreia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, lamentou este desfecho, mas disse manter a esperança numa reunião entre os líderes norte-americano e norte-coreano.