Alemães entram no mercado de passageiros entre Corunha e Porto

Deutsche Bahn vai operar através da Arriva comboios de longo curso entre as duas cidades. Serviço prevê quatro comboios diários em cada sentido e um tempo de percurso – impossível – inferior a três horas.

Foto
paulo pimenta

Será através da sua filial Arriva que os caminhos-de-ferro alemães (DB) vão entrar no mercado ibérico do transporte de passageiros sobre carris. Segundo o jornal espanhola eldiario.es, que cita a Europa Press, a Arriva já pediu às autoridades do país vizinho autorização para operar no percurso entre a Corunha e a fronteira portuguesa. Mas em Portugal, segundo o PÚBLICO apurou, no IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) ainda não deu entrada um pedido da DB ou da Arriva para obtenção da licença de operador ferroviário.

O projecto alemão - que aproveita o facto de o mercado ferroviário de passageiros ser liberalizado a partir de 2019 - prevê o lançamento de quatro comboios diários entre a Galiza e o Porto com paragens na Corunha, Santiago de Compostela, Pontevedra, Vigo, Valença, Viana do Castelo, Nine e Porto Campanhã.

Mas há ainda muito para afinar neste projecto como o prova o tempo de percurso previsto: 2 horas e 46 minutos para percorrer os 342 quilómetros entre a Corunha e Porto. Um tempo de viagem impossível tendo em conta que, actualmente, entre Porto e Vigo o comboio mais rápido demora 2 horas e 20 minutos. A electrificação da linha do Minho entre Nine e Viana, que deverá ser inaugurada este Verão, pouco vai mudar em termos de velocidade das composições e, mesmo com linhas de alta velocidade do lado espanhol e comboios de tecnologia alemã, nunca será possível unir as duas cidades em menos de três horas.

Em comunicado, a Arriva diz que o serviço ferroviário entre a Galiza e o Norte de Portugal tem em conta que se trata de dois territórios com “um grande dinamismo sócio-económico” e “grandes relações de mobilidade”. Uma fonte desta empresa filial da DB, citada pela Europa Press, diz que o início deste serviço deverá ter lugar “em meados de 2019”.

O PÚBLICO contactou a Arriva Portugal, que tem uma forte presença no sector rodoviário no Norte do país e na rodovia e ferrovia a sul, mas não obteve resposta. Também a CP, questionada sobre a entrada de um concorrente no mercado português, não quis comentar.