Peixe falsificado

É cada vez mais frequente comer-se peixe fresco com bom aspecto que depois de cozinhado se revela fibroso e cheio de água, como se tivesse sido mal congelado e descongelado. Quanto maior e mais caro o peixe maior é o risco.

Esta semana, graças à inatacável FAO, pela mão de Alan Reilly no relatório Food Fraud In The Fisheries Sector, tive a satisfação de saber porquê. A fish fraudé "cometido quando o peixe é deliberadamente colocado no mercado, para obter lucro financeiro, com a intenção de enganar o consumidor".

Duas práticas fraudulentas que eu não conhecia são o uso ilegal de monóxido de carbono para embelezar a aparência do peixe e, sobretudo, o "uso surreptício de agentes de retenção de água para aumentar fraudulentamente o peso dos produtos".

Há um lugar especial no inferno para quem adultera coisas que deixam de ser boas por causa disso: os que estragam vinhos brancos e verdes com madeira, os que estragam frutas com açúcar e água e, agora sabemos, os que incham com água e produtos químicos (como os polifosfatos) peixes de mar.

Um peixe artificialmente inchado de água dura mais tempo, não derrama quando é descongelado e parece mais gordo. 

O castigo não é só o preço muito mais alto que se paga por ele: é o sabor nulo a água e a textura fibrosa e aguada, própria apenas para cuspir. Tanto faz ser cozido, frito ou grelhado: não larga a água porque a água está quimicamente ligada às proteínas.

É uma aldrabice duplamente cara e os falsificadores também deveriam pagar a dobrar.