Antiga fábrica da Triumph vai a leilão por 5,7 milhões de euros

Estão para venda as instalações da insolvente Têxtil Gramax, em Loures, e os equipamentos industriais que, em vigília de 20 dias, os trabalhadores impediram de sair da antiga fábrica da Triumph

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Durante 20 dias, os trabalhadores fizeram uma vigilia para impedir saída de máquinas da fábrica Miguel Manso

A unidade fabril, equipamentos industriais e frota da Têxtil Gramax Internacional – Sociedade de Têxteis e Confecções vai a leilão público no próximo dia 3 de Maio, segundo anunciado pela empresa responsável pela venda.

Numa primeira fase, o que está em causa é o leilão da “unidade fabril vendida em conjunto (imóvel, bens móveis e material circulante)”, é adiantado no regulamento da venda. O valor base para este conjunto – que inclui uma área total de 4.200 metros quadrados, na freguesia de Sacavém, concelho de Loures ­– é de 5.712.270 euros, de acordo com as regras da licitação. “No acto da inscrição” no leilão “é obrigatório a entrega de cheque caução no valor de 5.000 euros, o qual será devolvido” no final da licitação.

“Caso se frustre a venda dos bens no conjunto”, adianta ainda a leiloeira, “a venda será feita” separando o imóvel (ou seja o terreno onde se localiza a unidade industrial têxtil, em Sacavém) e “os bens móveis vendidos lote a lote”.

As antigas instalações da fábrica de roupa interior Triumph foram adquiridas em Setembro 2016 pelo grupo suíço Gramax Capital. Mas, a 21 de Janeiro de 2018, a filial criada pelos suíços em Portugal - a Têxtil Gramax Internacional, dona da fábrica - foi declarada insolvente pelo tribunal. O terreno, equipamentos e frota são, por isso,  considerados “bens arrolados a favor da massa insolvente”, sendo a venda agora anunciada realizada “por determinação da exma. administradora de insolvência”, adianta a leiloeira no anúncio publicado na imprensa este sábado.

Se o ano de 2017 começou com esperança para os cerca de 500 trabalhadores da antiga fábrica da Triumph, com a Gramax a garantir então estar apostada em recuperar a unidade têxtil, um ano depois a confiança já tinha desaparecido.

Foi a 5 de Janeiro de 2018 que começou a vigília dos empregados da Gramax Internacional, na sua maioria mulheres, já com salários em atraso, para impedir a saída das máquinas. Os turnos permanentes dos trabalhadores da unidade (463 pessoas no total) duraram 20 dias, e acabaram num despedimento colectivo. As máquinas, equipamentos e veículos que os trabalhadores conseguiram que não fossem retirados da unidade têxtil vão agora ser leiloados, servindo o fruto da sua venda para pagar os credores da Gramax International. Alguns deles serão os próprios trabalhadores.