Reportagem

“Estou aqui uma guerreira que nunca pensei que fosse”

Ao vigésimo dia, as trabalhadoras da antiga Triumph despiram as batas e picaram pela última vez o ponto. O P2 acompanhou as últimas 32 horas de uma luta que acabou num despedimento colectivo. Um mal menor, diz quem resistiu, dia e noite, aos portões da fábrica.

Terça-feira de manhã. É o décimo nono dia à porta da fábrica. Hoje, com mais burburinho do que o costume, por causa da visita do presidente da Câmara de Loures e de movimentos feministas que ali foram deixar palavras de incentivo e alimentos. O mundo tinha acordado com a notícia de que a mulher que inspirou um dos maiores símbolos da emancipação e da força de trabalho feminina, Naomi Parker Fraley, tinha morrido aos 96 anos. Acaso ou não, ali, em Sacavém, às portas de Lisboa, o símbolo do lenço vermelho com bolinhas brancas dá lugar aos gorros que as mulheres tricotam para passar o tempo e proteger-se do frio. As mangas da camisa arregaçadas dão lugar às batas azuis. Mas o punho cerrado e a mensagem “Nós conseguimos” (“We Can Do It”, no original em inglês) continua por ali.

Será talvez injusto falar desta luta apenas no feminino. Ainda que dos 463 trabalhadores a grande maioria sejam mulheres, havia perto de duas dezenas de homens que as acompanharam, entre colegas, maridos e filhos. São eles que lhes dão estas honras: “Temos muito orgulho na força destas mulheres.” Foram elas que na tarde do dia 5 de Janeiro, no final do turno, disseram: “Não sai nada desta fábrica.” E não saiu.

O aparato da manhã acabaria por se dissipar perto da hora de almoço. O presidente da câmara, Bernardino Soares, foi-se embora, assim como as televisões, as rádios, os jornais. As mulheres voltaram para o tricot até o almoço chegar. A hora da refeição fá-las lembrar “os tempos da guerra”.

“Vê-las fazer fila para ir buscar a sopa, com o prato vazio para ir buscar o grão… Vê-las fazer fila para ir buscar um saco [de comida]… É muito triste”, diz uma das trabalhadoras. Nunca pensaram ter de fazer uma vigia aos portões da fábrica. São umas “meras costureiras”, dizem, não “revolucionárias”. E nunca pensaram que pudessem resistir durante tanto tempo.

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O romantismo associado à luta e à união tem os seus obstáculos, quando se percebe que nem tudo corre bem entre as trabalhadoras. Há desavenças antigas. Mas também se descobre um esforço de união para lá de egos. Depois, há a chuva, o frio, as noites sem dormir, o cansaço. “Já envelheci dez anos. Olho-me ao espelho e já nem me reconheço”, diz Dulce, sentada dentro da “vivenda” que foram construindo ao longo dos dias. “A gente descamba, arrebita um bocadinho”, diz outra das funcionárias.

O almoço foi servido. Algumas sobem a rua para ir tomar café ao Reitor do Jacinto. Outras voltam às agulhas e aos fios de lã. Outras refugiam-se no interior da fábrica.

Os homens tratam de ir buscar madeira para alimentar o braseiro. É preciso fazer brasas boas para pôr as bifanas a assar e o pão para fazer “umas torradinhas” para o lanche. Há sumo, chá e café, carne, bolos, leite, bolachas, cereais, que têm chegado pela mão de particulares, da Câmara de Loures, de associações. “Tem havido uma solidariedade como nunca pensei”, admite Rodrigo Teixeira, electricista de manutenção na fábrica há 25 anos. Acaba por fazê-los sentir que não estão sozinhos no meio do caos – organizado – em que estão a viver, diz.

“Estas mulheres são tão lindas”

“A luta tem sido feita ao minuto, como nós trabalhamos”, diz Mónica Antunes, a delegada sindical e trabalhadora da fábrica de 41 anos, que organiza “as tropas”. Afinal, aquela empresa “sempre fez da gente umas máquinas”, nota a colega Fernanda Craveiro, de 51 anos. É costureira desde os 16. Estava há três décadas na Triumph. Todos os dias fazia 20 quilómetros, entre idas e vindas, depois de ter trocado o bairro da Mouraria, em Lisboa, pelo Cacém.

“Na fábrica onde eu trabalhava, ouvia: ‘Vai para a Triumph que lá é que é bom. Ganha-se bem’.” Habituou-se a trabalhar “à velocidade da luz”, porque o ordenado nunca foi “por aí além” e os prémios de produção acabavam por servir de incentivo ao esforço.

“Trabalhava aqui orgulhosamente. Trabalhávamos que nem umas loucas. Só quem entrava na firma é que via. Somos muito perfeccionistas.” A descrição de Fernanda é repetida vezes sem conta pelas colegas. Mas, há um ano, as coisas começaram “a descambar, a descambar, a descambar”. “E nós, apesar de termos essa percepção, não queríamos acreditar. Costuma-se dizer que maior cego é aquele que não quer ver. Foi o que nos aconteceu. Os alemães entenderam ir embora, dar-nos um chuto no cu”, acusa Fernanda.

Fizeram-se ali “mulheres maduras”, com as “colegas mais velhas”. E é triste, dizem, ao fim destes anos todos, que a empresa lhes tenha “virado as costas”. “Nós não merecíamos ter o fim que tivemos.” Mas, no meio do desalento, algumas vitórias, como a da união. “Passei 30 anos aqui e havia muitas colegas que não conhecia. Agora, há uma união tão grande e as mulheres são tão lindas…” Acabaram por fazer um pacto: não arredar pé da porta da fábrica enquanto não alcançassem os seus objectivos.

Lurdes Silva é uma das “resistentes”. Dança com o gorro novo que alguma das colegas lhe fez. É ajudante de corte, mas foi passando sempre por outras funções desde que entrou na Triumph há 27 anos pela mão de quem já lá trabalhava, assim como a maioria dos outros funcionários.

“Tínhamos amor à camisola. Levantava-me com gosto para ir trabalhar. Fazíamos mais horas, sábados, domingos, o que fosse preciso para acabar o produto. Se era preciso acabar naquele dia, a encomenda ficava pronta. E com qualidade”, vinca Lurdes. Diz estar “revoltada” por ter passado dias inteiros sem fazer nada, de ver o trabalho ser “desvalorizado”. É por isso que ainda não desistiu de ali estar, mesmo tendo de deixar o marido e a filha em casa. Está a cumprir o que a filha um dia lhe pediu: “Mãe, vai para a fábrica e luta.”

“Afinal, ganhámos força. Eu estava a cair num buraco. Mas isto tudo deu uma reviravolta e percebi que sou capaz de lutar. E vou lutar até ao fim, por mim e pelas minhas colegas. E vamos conseguir, pelo menos, aquilo a que temos direito. À nossa dignidade. É isso que nos estão a tirar, mas não vão conseguir”, sublinha.

“Eles foram muito, muito indecentes”

Durante a tarde, começa-se já a pensar no dia seguinte. Sabem que o Presidente da República estaria de passagem pela Escola Secundária de Camarate, que o Bloco de Esquerda levaria a luta delas ao Parlamento. Era preciso organizarem-se para conseguirem chegar aos dois locais. Souberam, entretanto, que a administradora de insolvência marcara uma reunião com todos os trabalhadores para as 16h15 de quarta-feira. Organizam-se para estar em todo lado, para se fazerem ouvir, protestar. Tratam de arranjar autocarros. Fazem listas com quem vai para onde.

Na agitadíssima Rua Vasco da Gama, em Sacavém, os carros que passam abrandam e buzinam, mostram o punho cerrado, em sinal de apoio à luta. “Era apertar o pescoço ao patrão”, grita quem por ali passa durante a corrida habitual.

Às 16h30 termina mais um turno. Despem-se as batas, vestem-se os casacos, pega-se nas marmitas, arruma-se as agulhas e os fios de lã. Amanhã continua a luta. Vão embora com a expectativa de aquelas serem as últimas horas de vigia à fábrica. “Meninas, até amanhã!”

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Quem fica para fazer os turnos da noite acomoda-se nas cadeiras e cobre-se com mantas. O braseiro continua aceso, a tarde vai longa e começa a escurecer. São cada vez menos. A hora é propícia ao desalento.

A jornada tem sido “pesada, difícil, muito difícil”, admite Manuela Santos, de 60 anos, 37 dedicados à Triumph, a cortar copas a soutiens. “Mas já nos mentalizámos de que temos de estar aqui até ao fim. E sentimo-nos revoltadas porque somos apoiadas por toda a gente de fora e por algumas colegas não somos. É quando nos vamos mais abaixo”, diz. “Quando vamos para a nossa casa, para a nossa cama, é que a gente pensa nisso. Ainda a noite passada não dormi nada. Mas vamos conseguir.” 

Entre panelas para cá e panelas para lá, passa-se o tempo à volta da fogueira, entre olhares fixos e taciturnos, interrompidos por mais uma rodada de entrecosto e de bifanas ou de uma torrada e um chá. Ao mesmo tempo, faz-se uma viagem ao passado. Grande parte dos trabalhadores partilha décadas de serviço em conjunto.

Recordam o “fogo enorme” que lavrou nas antigas instalações da Triumph, que ficavam mesmo ali ao lado da actual. Ainda se vê a carcaça desse edifício. Carlos Sousa, 62 anos, 32 de empresa, diz que, nessa altura, “a Triumph esteve para acabar”. Mas foi transferida para Camarate. “Nessa altura [o trabalho] esteve muito tremido. Não se sabia se ia continuar”, conta.

“Vinte e tal anos” depois, “a globalização apanhou-nos a todos”, diz. A Triumph começou a deslocalizar a mão-de-obra para Marrocos e para o Sudeste asiático. A fábrica em Portugal, onde se chegaram a produzir 200 mil a 300 mil peças por mês, acabou vendida à Gramax no final de 2016.

Mas nem tudo é mau. Havia coisas boas. “Muitas”, diz Maria José Gomes, de 65 anos. Desses, 51 foram passados nas máquinas do corte, a cortar e “a ensinar”, diz orgulhosamente. Como muitos dos outros trabalhadores, saiu da escola por não poder estudar mais. O destino provável era a fábrica. “Adorava este trabalho. Adorava mesmo. A gente quase não tinha vida em casa. O meu marido dizia-me muitas vezes: ‘Olha, só falta levares o colchão para lá.’ Para agora acabar nisto. Antes queria esse tempo”, lamenta.

Quando entrou, a fábrica estava aberta há apenas seis meses. “O chão era cimento, andávamos a trabalhar debaixo de obras. E aqui estou.” Maria José conta que sempre gostou muito de ali trabalhar, mas ficou logo desconfiada quando viu a Triumph mudar de mãos, ser vendida. Mesmo quando o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, há um ano, lhe disse que teria ainda muitos anos para andar por ali. “Está-se a ver, não está?”

Recorda que, quando chegou aos 45 anos de empresa, a gerência chamou-a ao gabinete e ofereceu-lhe dez mil euros para se ir embora. Disseram-lhe que era um “miminho”. Recusou. Foi “a melhor coisa” que fez. “Olhe, hoje não estava aqui nesta luta. Nunca tinha passado por isto. Não estou nada arrependida de não ter aceitado os dez mil euros. Aprendi mais coisas. A gente está sempre a aprender. Esta luta foi uma delas: uma lição de vida.”

E agora? Agora, diz que vai lutar até ao fim para receber os seus direitos. Para depois começar a pensar na reforma. A jornada tem-se passado “bem, com uma gripezinha”. Nada que a impeça de deixar uma promessa: “Não me vou embora sem ter os meus direitos. Eles foram muito, muito indecentes para a gente. Foi como se puxassem o tapete debaixo dos nossos pés.”

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Para lá das recordações recentes, lembram as festas de comemoração do dia da empresa. “Era espectacular. Íamos representar. Fazíamos as nossas roupas. Pelo Natal, pela Páscoa, pelas férias davam-nos um saquinho com lingeries. Depois, no último dia de trabalho, tínhamos um almoço. Davam-nos um mês de ordenado aos 25 anos de casa, mais uma lembrança”, recorda Manuela, que criou ali a filha, que levava para o meio das máquinas quando tinha de trabalhar aos sábados.

Isabel Teixeira, 32 anos de casa, recorda as “confusões”. “Havia ‘problemas’. Mas corria bem. Éramos unidas, fazíamos piqueniques, muitas festas. Quando fazíamos anos de empresa, fazíamos festas, bolos, rissóis. Éramos muito felizes aqui dentro.” Encolhe os ombros, resignada. Para ela, o fim é inevitável, assim como para o marido, Rodrigo Teixeira, electricista de manutenção.

“Era tão feliz e não sabia”

O sol já se pôs. Os portões fecharam às 19h30 e as trabalhadoras que ainda restam concentram-se numa tenda improvisada à porta. Falam das saudades que têm de ouvir ralhetes das chefes de cada secção. “Era tão feliz e não sabia.” Ao contrário da maioria, esta funcionária, que não quis divulgar o nome, acreditou que a fábrica, mesmo depois da venda, ia continuar. “Aquelas são as minhas máquinas”, diz. “Olhar para as filas é uma tristeza. Ver as máquinas todas arrumadas”, completa Fernanda.

“A nossa ralação agora é o gasóleo e o passe dos transportes”, dizem. Estão dependentes dos maridos, dos filhos, dos irmãos. “Mas isso não é vida”, dizem.

Lurdes tem o marido a trabalhar. Só entra um ordenado. “Corta-se ao máximo para tentar não descambar. Vamos vivendo. Não há bifes, come-se sopa.”

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Sandra e Ismael Carvalho estão na casa dos 40 e pouco. Ficam os dois sem trabalho. “Tem sido complicado. Eram dois ordenados e agora nem um nem outro. O meu filho mais velho tem 18 anos, começou agora a trabalhar para ter a sua independência. Tem ajudado como pode.”

Não esquecem a ajuda recebida de anónimos e de associações que ali têm deixado muita mercearia que tem ajudado a que também não falte comida em casa. Os filhos vão compreendendo. Aplaudem a luta das mães. “Não sei onde vou buscar forças. Acho que, quanto mais cansada estou, mais força parece que tenho. Por dentro, sabe Deus. Estou aqui uma guerreira que nunca pensei que fosse.”

“O perfume aqui é Chanel fumée

Chega o jantar. Desta vez é a União de Sindicatos de Lisboa que o traz. E que ali vai passar a noite. Menu: sopa da pedra. E um copo de vinho para descontrair e tornar mais fácil a noite fria.

Seria inevitável que uma noite de cantorias, à volta de uma fogueira, não acabasse a cantarolar-se: “Com fios feitos de lágrimas passadas / Os meninos de Huambo fazem alegria/ Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas / E no céu descobrem estrelas de magia” (Paulo de Carvalho). Também elas saberão o que lhes “custou a liberdade”.

O turno da meia-noite começa mais cedo. Chegam para render as colegas. Trazem mantimentos, caixas de bolos e roupas. Sandra vai-se embora. Às 4h00, o marido, Ismael, vem rendê-la. Quem vai embora leva, além o cheiro do fumo — “o perfume aqui é Chanel fumée —, as fagulhas amarradas ao casaco e as dúvidas sobre o dia seguinte. “Como é? Achas que vamos ter novidades amanhã?”

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De madrugada, grelham-se mais bifanas, espera-se pelo chá e pelo bolo e percorre-se o vasto repertório do cancioneiro de Zeca Afonso e Carlos Paião.

A parte difícil do dia começa agora, dizem. Chegam filhos, netos, maridos e sobrinhos para lhes dar mais segurança. Fazem transmissões em directo para o Facebook. Chegam novos pedidos de amizade. “Quando vejo que tenho muitos amigos em comum, vejo logo que é daqui”, diz Rute Ferreira, que vem do Barreiro e se lança num karaoke improvisado com Conquistador, dos Da Vinci.

Há também um pezinho de dança, reforçam-se os mantimentos. Mais uma rodada de febras e entrecosto a assar. Às quatro da madrugada, nova mudança de turno. “É uma noite diferente, muito mais animada do que o costume”, diz quem chega e vê toda a gente desperta àquela hora.

Eram cinco e meia e o alarme da fábrica acabaria por tocar, uma e outra vez. “Se calhar estão a entrar pelas traseiras”, atiram as trabalhadoras. Referem-se à administração da empresa, que já dali tentara retirar alguns materiais. É mesmo essa a razão pela qual estas mulheres ali acamparam. Falso alarme.

Começam a passar autocarros apinhados de trabalhadores de outras fábricas que olham, fixamente, para o acampamento ali montado. Já perto das 7h30, quem não estava escalada para os turnos da noite vai chegando. Chegam em carrinhas, muitas de cabelo molhado, prontas para ir “beber um cafezinho”. Vestem a bata e queixam-se do frio. Sandra chega com o filho. Ismael, que a rendera durante a noite, parte com o filho para a escola.

Toma-se o pequeno-almoço. Limpam-se as beatas do chão. “É preciso brio no local de trabalho. Depois ainda dizem que nós sujamos tudo.”

“Bom dia, gente da minha terra”, diz, bem-disposta, Fernanda. As conversas pela manhã denunciam a ansiedade pelo que o dia lhes reserva. Desejosas de pôr um fim à vigília, já depois de terem percorrido as ruas de Lisboa, com faixas e panfletos. 

“Não quero passar mais nesta rua”

O desfecho da história já se sabe: disseram olhos nos olhos ao Presidente da República as dificuldades por que estavam a passar. Pediram-lhe que interviesse. Marcelo Rebelo de Sousa tentou sossegá-las ao dizer que já estava a ser desenhada uma solução. Voltaram à fábrica, receberam a notícia de que, à partida, a vigília tinha as horas contadas. Um grupo de mulheres seguiu para o Parlamento e ouviu o Governo admitir que o processo relacionado com a fábrica (venda à Gramax) não tinha tido o sucesso desejado. Voltaram para a reunião com a administradora de insolvência. Saíram com a papelada na mão, umas mais felizes, outras mais tristes, ainda que, para aquelas mulheres, não seja preciso muito para passarem do sorriso às lágrimas.

Passaram 20 dias. Pelo menos uma vitória tiveram: ver os seus direitos assegurados. Não sabem quando vão receber os salários que têm em atraso, nem a indeminização a que têm direito. Mas podem avançar para o fundo de desemprego ou para a reforma. “Para receber algum, pelo menos.”

E, depois, o momento mais contraditório das 24 horas em que o P2 passou com estas trabalhadoras: o instante que cantaram vitória por terem ficado sem trabalho.

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É que, apesar de um “martírio” ter acabado, rapidamente começará outro. Agora, é tempo de tratar das papeladas e de “dar todo o tempo do mundo” às famílias. 

Carlos vai pensar na reforma, assim como Zezinha. Mónica, Sandra e Ismael terão de encontrar outro trabalho. Entretanto, foi aberta uma conta solidária para quem quiser ajudar e a autarquia está a preparar um concerto para o dia 18 de Fevereiro para ajudar os trabalhadores em dificuldades.

Ao longo de 20 dias, a chuva não apagou as brasas do fogareiro, nem o frio calou as suas vozes. “Acredito que estas mulheres vão fazer parte da história deste país”, diz Mónica. Ainda que, ao olhar para o resultado do protesto, o que viu foi o fim de quase cinco centenas de postos de trabalhos, vidas profissionais deixadas para trás. Mas há quem teime em guardar os momentos felizes. E há quem os queira esquecer. “Tudo isto é triste”, diz Manuela. “Quando acabar, não quero pensar mais na Triumph. Nem quero passar mais nesta rua. Não quero passar mais.”