António Chora "espantado" com greve na Autoeuropa mas admite "adesão significativa"

O ex-coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa acusa sindicato SITE Sul de estar sustentado em “quatro ou cinco populistas”, em entrevista ao Negócios

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António Chora foi coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa desde 1996 até Janeiro de 2017. Miguel Manso

António Chora, ligado ao BE e antigo coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa – fábrica da Volkswagen em Palmela que esta terça-feira entra em greve de 24 horas a partir das 23h30 – acredita que a paralisação na unidade industrial terá adesão.

Em entrevista ao Jornal de Negócios, publicada na noite de terça-feira no site do jornal, Chora admite: “É capaz de haver uma adesão significativa porque as pessoas estão demasiado instrumentalizadas e demasiado confiantes nas palavras de pessoas que nunca viram na vida delas”.

Aquele que foi o presidente da CT da Autoeuropa durante 20 anos (1996-2016), funções que cessou em Janeiro de 2017, não poupa críticas ao SITE Sul, sindicato da CGTP que representa os trabalhadores da indústria transformadora, energia e ambiente do Sul, que convocou a greve (na qual foi depois secundado pelo SIMA - Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins).

Mais do que “um assalto ao castelo”, como já o classificou o coordenador da CT demissionário, Fernando Sequeira, visão que corrobora, António Chora vê nesta greve uma “tentativa do PCP pressionar o Governo para algumas cedências noutros lados”. Sobre o SITE Sul, defende que este sindicato “montou-se em cima de quatro ou cinco populistas. É lamentável porque é um sindicato com história”, acrescentou, mostrando-se surpreendido com a primeira greve na empresa (fora de greves gerais): "Estou espantado. Nunca pensei ver tanta verborreia como tenho visto ultimamente, mas o populismo é assim."

Ainda assim, na entrevista ao Negócios, António Chora, eleito pelo BE à assembleia municipal da Moita, acredita que entre administração da construtora automóvel e os representantes dos trabalhadores pode ser encontrado “um acordo até ao final do ano”.  Salienta contudo que “se a Volkswagen não conseguir produzir os automóveis aqui [Portugal], há-de produzi-los noutro lado”.

Em causa está, recorde-se, o novo modelo T-Roc, cuja produção já arrancou na unidade da VW em Palmela e que irá requerer o aumento dos turnos e a obrigatoriedade de laboração aos sábados – sob condições que os trabalhadores contestam e sob as quais baseiam a greve desta semana.

Também esta terça-feira, antes da greve começar, a coordenadora do BE, Catarina Martins, afirmou ver a greve na Autoeuropa com “enorme apreensão”