SIRESP já falhou mais vezes este ano

Ministério da Administração Interna diz que estações-móveis estão operacionais e já foram usadas e que já há técnicos de comunicações nos postos de comando.

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Rui Gaudêncio

Não foi apenas em Pedrógão Grande que o sistema de comunicações de emergência falhou. Em respostas ao PÚBLICO, o MAI conta que nas últimas semanas "foram comunicadas dificuldades em áreas atingidas por incêndios florestais". Para já, o MAI não especifica em que incêndios falhou o SIRESP, nem durante quanto tempo, nem se houve consequências no comando e no controlo dos incêndios que tenham resultado destas novas falhas. 

O MAI tem resistido a dar informações sobre falhas específicas na rede de comunicações de emergência. Em Julho, a Autoridade Nacional da Protecção Civil (CNPC) admitia ao PÚBLICO que tinha existido "falhas pontuais" do SIRESP durante um incêndio em Alijó, que levou à mobilização da estação móvel. Na altura, o Ministério da Administração Interna remeteu para a informação prestada pela ANPC e dizia que não ia comentar o "desempenho" do SIRESP até ter em mãos os relatórios pedidos sobre Pedrógão. Já no final de Julho, quando foi ouvida no Parlamento, Constança Urbano de Sousa deu conta que o SIRESP tinha falhado durante o primeiro incêndio que assolou Mação, ficando três estações em "modo local", permitindo apenas comunicações entre terminais da mesma rede. As notícias de falhas repetiram-se nas últimas semanas: na Sertã, Cantanhede e de novo em Mação, no reacendimento da última sexta-feira.

Apesar das falhas nas últimas semanas, há um cenário diferente nas comunicações da Protecção Civil em relação ao que aconteceu em Pedrógão. O Governo garante que as estações móveis já estão todas operacionais e que já foram utilizadas nas últimas semanas. "Foram utilizadas as quatro estações móveis, que se encontram pré posicionadas, em diferentes teatros de operações, permitindo ultrapassar as dificuldades de comunicação", lê-se na resposta ao PÚBLICO enviada pelo MAI.

De acordo com as indicações dadas pela ministra no despacho de dia 9 de Agosto, estas estações-móveis de comunicações - que permitem estabelecer comunicações de emergência quando o SIRESP falha - estão distribuídas pelo país da seguinte forma: uma em Lisboa, a cargo da GNR, uma no Porto, a cargo da PSP e as restantes duas têm um "posicionamento dinâmico, de acordo com o risco de incêndio, geridas pela ANPC".

Além desta medida, também já está em funcionamento outra das indicações dadas por Constança Urbano de Sousa. Garante o MAI que nos incêndios desde então, já há técnicos de comunicações nos diferentes postos de comando e controlo. "Os técnicos em funções na ANPC têm estado presentes dos postos de comando das principais ocorrências, acompanhado o funcionamento das comunicações e, quando necessário, a instalação das estações móveis SIRESP", responde o MAI.