Protecção Civil confirma “falhas pontuais” na rede SIRESP em Alijó

Foi mobilizada uma estação móvel de comunicações, mas não se sabe quando chegará ao local. Mais de 280 bombeiros e oito meios aéreos estão a combater o fogo que já levou à retirada de seis adultos e cinco crianças da aldeia de Vila Chã.

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Alguns residentes foram retirados de casa por precaução LUSA/PEDRO COSTA
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Viatura carbonizada pelas chamas em Alijó LUSA/PEDRO COSTA
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A meio da trade, seis meios aéreos apoiavam o combate no terreno LUSA/PEDRO COSTA
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Um dos dois helicópteros mobilizados para este incêndio acabou por cair. O piloto saiu ileso LUSA/PEDRO COSTA
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A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) confirmou ao PÚBLICO as falhas na rede do SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal), em Alijó, onde cerca de 300 bombeiros combatem um incêndio de grandes dimensões e que já levou à retirada de idosos e crianças da aldeia de Vila Chã, naquele concelho.

“Foram falhas pontuais”, asseverou Patrícia Gaspar, adjunta do comando nacional da ANPC, para acrescentar que foi entretanto mobilizada a estação móvel que estava pré-posicionada no distrito do Porto e que “deverá ajudar a suprir novas falhas que se venham a registar”.

Questionada sobre os motivos de tais falhas, a responsável da ANPC disse não dispor ainda dessa informação, asseverando, porém, que “não foi uma falha global” e que a rede SIRESP “não é a única no teatro de operações”. A comunicação entre os operacionais fez-se assim “através da rede complementar dos bombeiros, a rede ROB [Rede Operacional dos Bombeiros], que esteve sempre a funcionar”.

Por esta hora, a ANPC não consegue adiantar quando é que a estação móvel do SIRESP estará em condições de ser activada. 

O presidente da Câmara de Alijó, Carlos Magalhães, foi o primeiro a denunciar as falhas na rede SIRESP em declarações ao PÚBLICO. Em Alijó, tal como já tinha sucedido em Pedrógão Grande, as dificuldades de comunicação através deste sistema de emergência estão a dificultar a articulação entre as diferentes equipas no terreno, de acordo com o autarca. Às 21h40 deste domingo, Carlos Magalhães alertava para a dimensão "muito preocupante" do incêndio, que foi considerado dominado a meio da tarde, mas reactivou, lavrando em três frentes. 

“O sistema já está em modo local, o que está a dificultar as comunicações no terreno. Estive duas horas sentado só a ouvir e apercebi-me que a comunicação falha: não sabemos exactamente onde está posicionada cada equipa, onde está a arder. Às tantas, só recorrendo aos telemóveis é que se consegue comunicar”, criticou Carlos Magalhães.

Idosos e crianças retirados

Idosos, acamados e crianças foram retirados da aldeia de Vila Chã por causa do incêndio que está a ameaçar algumas habitações daquela freguesia, no concelho de Alijó.

Foi uma decisão tomada para “evitar o pior”, adiantou Carlos Magalhães. Segundo o autarca, foram retirados das suas casas seis adultos e cinco crianças. “Estão no pavilhão gimnodesportivo de Alijó, temos uma equipa de apoio a recebê-los, já foram acomodados e, dentro do possível, estão bem”, asseverou. Ao final da tarde, oito meios aéreos e 64 veículos apoiavam a acção dos 281 operacionais que combatiam as chamas.

Entretanto, os meios começaram a ser mobilizados para outra aldeia, Casas da Serra, para onde se está a dirigir o fogo. Este chegou a ser dado como dominado ao início da tarde, tendo-se reactivado entretanto. "O fogo reacendeu-se julgo que por causa do vento e do terreno, com muitas resinosas...", admitiu o autarca. 

Por explicar está a queda do helicóptero que caiu na barragem de Alijó quando efectuava testes de balde de água, antes de enfrentar as chamas. A empresa que opera os helicópteros de combate aos fogos, a Everjets, apressou-se a anunciar em comunicado que vai instaurar um inquérito às circunstâncias do acidente, tendo garantido entretanto a substituição do aparelho. 

Em comunicado, a ANPC diz que o piloto do aparelho detectou problemas no balde "tendo iniciado prontamente o despiste das causas da anomalia no seu funcionamento".

"Os procedimentos de emergência previstos para responder a este tipo de situações foram acautelados pelo piloto, tendo sido desligados os circuitos eléctricos e de alimentação de combustível, e saído aquele da aeronave pelos seus próprios meios", acrescenta a autoridade nacional.