Líder da bancada do CDS diz que se vive uma “democracia simulada”

Nuno Magalhães diz que o primeiro-ministro brinca com o Orçamento do Estado.

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Adriano Miranda
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O líder da bancada do CDS, Nuno Magalhães, considera que se está a viver “numa democracia simulada”, com “impasse nas reformas” mas também “fingimento das ideias” e com PS, PCP, BE e PEV a avançarem com propostas mas sem a intenção de as aprovar no Parlamento. O Governo e os partidos que o apoiam -  PCP, BE e PEV – foram os alvos do discurso de abertura das jornadas parlamentares do CDS, que decorrem em Ílhavo, Aveiro.

No diagnóstico traçado pelo líder da bancada centrista, a democracia “vive com problemas” como o “impasse das reformas”, o “fingimento das ideias”, em que quatro grupos parlamentares fazem propostas mas não são consequentes com elas, e em que nem escapa a seriedade do Orçamento do Estado. “O primeiro-ministro diz que o Orçamento que votou afinal é uma brincadeira, a fingir, mais ou menos. Podemos discutir, mas temos de cortar 30% nas cativações”, atirou o líder parlamentar, questionando de seguida o papel de BE e de PCP perante a situação política. “Confrontados com tudo isto, andam a fingir que não vêem e que não ouvem”, acusou. E indicou como exemplo o seu comportamento na Assembleia da República nas votações das iniciativas na generalidade: “Votar é excepção ou uma mera formalidade, tudo baixa sem votação”.

Nuno Magalhães assumiu que esta forma de actuar até transmite uma imagem positiva. Mas considerou ser temporária. “Numa democracia simulada por algum tempo até pode fazer um país mais optimista e, por algum tempo, parecer mais feliz. Jamais pode fazer um país competitivo e desenvolvido como nós queremos”, rematou.

Na sua intervenção, o líder da bancada tinha começado por fazer o balanço dos vários pacotes legislativos apresentados nesta sessão legislativa e reclamou os louros para o partido de questões colocadas na agenda. “Foi com o CDS que se percebeu o IMI das vistas, o embuste sobre a neutralidade fiscal do aumento dos combustíveis. Foi pelo CDS que ficaram a saber que a esquerda eufórica deu uma borla fiscal com a reavaliação de activos”, afirmou. O trabalho da bancada (com 18 deputados) foi também revelado em números: Fez “mais de uma centena” de propostas e de 1400 perguntas à administração central e local.