1.º de Maio: Sindicatos e esquerda querem Governo a andar mais depressa

Cenário de greve geral não está ainda em cima da mesa. CGTP marca manifestações em Lisboa e Porto, PCP e BE concordam nas exigências ao Governo de António Costa.

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Lisboa Rui Gaudêncio
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O primeiro-ministro até quis marcar o dia com um artigo de opinião no DN a falar do que já foi feito e do que ainda quer fazer para melhorar o mercado de trabalho, mas de pouco lhe valeu. Neste campeonato, PCP e BE juntam-se às centrais sindicais para, no Dia do Trabalhador, exigirem ao Governo uma política mais à esquerda, que acelere a reposição de direitos dos trabalhadores, desde a integração de precários ao fim da cláusula de caducidade, para aumentar a contratação colectiva, passando pelo aumento dos salários dos trabalhadores do Estado. Para já, os sindicatos privilegiam o diálogo, mas avisam que este tem de ter consequências. Caso contrário, haverá outras formas de luta que podem passar por uma greve geral.

Mas não para já. Para já, a CGTP marca duas manifestações a 3 de Junho, em Lisboa e no Porto, e a UGT, apesar de não descartar a greve, diz que primeiro estão as negociações. Os partidos que suportam o Governo apoiam esta posição.

“De nada serve o diálogo, se ele não tem eficácia”, atirou o líder da CGTP do palanque da Alameda, em Lisboa, dizendo ao Governo que, um ano e meio depois de este ter iniciado funções, precisa de ir mais longe e mais depressa no que aos direitos dos trabalhadores diz respeito. "Temos consciência de que não se pode solucionar num mês aquilo que foi corroído ao logo de décadas e sobretudo nos últimos anos. Creio que estaremos todos de acordo em, hoje, aqui da Alameda, dizer ao Governo que não aceitamos que, um ano e meio depois de o Governo ter iniciado funções, não se tenha atacado os problemas que estão na origem das desigualdades e da pobreza laboral", disse Arménio Carlos.

No discurso no topo da Alameda Afonso Henriques, o secretário-geral da CGTP pediu aos trabalhadores que se unam para “forçar” e “exigir” mais ao Governo. "Nem os avanços desta nova solução governativa caíram do céu, nem as alterações que se exigem serão alcançadas sem a continuação da intensificação da luta dos trabalhadores". "É preciso ir mais longe, intensificar a luta em cada local de trabalho", pediu.

Carlos Silva, da UGT, a discursar em Viana do Castelo, preferiu concentrar o discurso na exigência de aumentos do salário mínimo nacional e dos salários dos trabalhadores do Estado. “Nós não aceitamos que só haja aumentos salariais em 2020. Dez anos sem aumentos salariais é uma barbaridade e, acima de tudo, uma grande injustiça, que leva os trabalhadores da administração pública à indignação. E se tiverem que ir para a greve, nós acompanharemos e estaremos lá", afirmou.

Há dois momentos que definem dois Dias do Trabalhador diferentes, em Lisboa. Há o 1.º de Maio de quem lá vai pelo convívio e o 1.º de Maio de quem lá vai em luta por direitos. No fim, juntam-se os dois, confundem-se entre um copo de vinho e palavras de ordem, na Alameda.

Maria do Céu estava sentada numa cadeira de praia. Ex-emigrante, agora regressada, faz palavras cruzadas enquanto a manifestação ainda está longe e não se ouvem palavras de ordem na Avenida Almirante Reis. Vai à Alameda, esse lugar histórico das lutas dos trabalhadores no pós-25 de Abril, acompanhar o irmão que “sempre foi muito político”. Ela não, ela fica sentada, enquanto o irmão anda a falar com “camaradas”, a “conviver”.

Margarida vai a todas as manifestações do 1.º de Maio desde o 25 de Abril para “celebrar o dia, para comemorar os direitos que foram conquistados”. Nota diferença para anos anteriores? “Sei porque pergunta isso, porque o PCP apoia o Governo. Mas não tem nada a ver. Ainda tem pouco tempo, o Governo. Continuamos a luta. Vamos ver como vai andar, se se porta bem ou mal”, diz.

Esse compasso de espera ou período de graça ainda dura para António Costa, mas a esquerda e os sindicatos começam a dar mostras de impaciência ou, como disse Arménio Carlos, querem garantir que o Governo não se acomoda e, por isso, estão a “dar-lhe força” para que ande mais depressa. "Não é para deitar o Governo abaixo, é para acelerar as reformas e as medidas para responder aos problemas com que o país se confronta", afirmou.

O mesmo defenderam tanto Jerónimo de Sousa como Catarina Martins. O secretário-geral do PCP pediu mais luta, mas sem falar em greve geral. "Creio que é importante esta afirmação: os trabalhadores nunca põem nenhuma forma de luta de fora. É mediante as condições objectivas, perante as situações concretas, que decidem. Outro elemento importante sublinhar: quem decide são os trabalhadores e as organizações", disse em declarações aos jornalistas. "A luta não será dispensada. Historicamente os trabalhadores têm experiência de que nunca nada lhes foi dado ou oferecido, foi sempre conquistado. A luta é um elemento fundamental", frisou.

Já Catarina Martins, do BE, admite que a luta dos trabalhadores é “um repto que é feito à maioria” para resolver os problemas da precariedade laboral e da contratação colectiva.  "Se subir o salário mínimo nacional foi tão importante para criar emprego, o que não faríamos pela economia e pela justiça social neste país, se combatêssemos de forma eficaz a precariedade e se tivessemos mais contratação colectiva? Esse é o repto que é feito à maioria e o BE lutará como sempre para acabar com a precariedade", defendeu.