Quase metade dos portugueses quebra a promessa de ver uma série com a sua cara-metade

Novo estudo do Netflix revela que 45% dos portugueses não conseguiram esperar pelo seu parceiro de streaming para acompanhar uma determinada série e viram um ou mais episódios.

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A Teoria do Big Bang é a série que mais "traições" causa em Portugal DR

A lógica de binge-watching do Netflix veio dar um novo alento à tentação de ver um episódio atrás do outro e originou, em 2013, o fenómeno "Netflix Cheating", que diz respeito ao momento em que alguém não consegue esperar pelo parceiro de streaming para ver uma determinada série em conjunto. Um novo estudo divulgado pelo Netflix esta segunda-feira revela que quase metade dos casais em todo o mundo (46%) já quebraram a tradição de esperar pelo companheiro de maratona televisiva para continuar a seguir uma série. Em Portugal, este valor não difere muito da média, havendo 45% de espectadores que não aguentaram esperar pelo desenrolar dos acontecimentos e viram os episódios sozinhos. 

O estudo foi realizado através de um inquérito do SurveyMonkey que recolheu 30267 respostas entre 20 e 31 de Dezembro de 2016. A amostragem representa a população adulta que consome televisão no serviço de vídeo on-demand em países tão diferentes como os Estados Unidos, a Nova Zelândia, o Brasil, o Japão, a Índia, a Coreia do Sul, a Dinamarca, a Alemanha ou a França. As séries que causam mais “traições” a nível mundial são The Walking Dead, Breaking Bad, American Horror Story, House of Cards, Narcos e Stranger Things. Já em Portugal, é uma mistura entre o drama e a comédia que protagoniza a infidelidade dos parceiros de streaming – que  podem ser os namorados, amigos ou familiares – uma vez que a ordem das mais vistas é, respectivamente, A Teoria do Big Bang, The Walking Dead, Narcos, Foi Assim que Aconteceu e Uma Família Muito Moderna.

O sentimento de urgência em saber o que acontece a seguir é um comportamento universal, embora registe maior incidência no Brasil (58%) e no México (57%). Por outro lado, entre os países mais obedientes ao consumo televisivo em conjunto encontram-se a Holanda, a Alemanha e a Polónia, onde 73%, 65% e 60% dos inquiridos responderam que nunca quebraram o hábito de ver a série com o seu companheiro de streaming. Já Portugal ficou posicionado a meio da lista, com 55% dos participantes a admitirem nunca ter visto um episódio antecipadamente.

Num mundo dominado pelas maratonas televisivas, esta prática é cada vez mais recorrente, embora não seja deliberada. A maioria dos participantes do estudo (80%) admite que a “traição” não é planeada e 66% afirma que a qualidade das séries é a culpada. “As séries são tão boas que não conseguimos parar de ver”, respondem no inquérito. Os portugueses partilham desta opinião, sendo que 60% reconhecem não ter conseguido parar de ver a série que estavam a acompanhar. O estudo do servilo de streaming Netflix refere que 12% dos casais já chegaram a discutir por causa da traição de um dos membros à rotina conjunta de consumo televisivo. Além disso, aponta que o visionamento individual de uma série tem mais probabilidade de acontecer (19%) quando um dos dois adormece.

Este é um fenómeno em crescimento, de tal forma que 60% dos consumidores revelaram que voltariam a preferir os encontros a sós com o Netflix a esperar por companhia se soubessem que não seriam apanhados. Quase metade dos espectadores (45%) diz, ainda, que nunca confessa as suas indiscrições aos parceiros do vídeo on-demand. Apesar disso, esta é uma prática cada vez mais aceite, sendo que mais de 46% dos inquiridos em todo o mundo referem que “não é nada de grave”. A sua receptividade varia, no entanto, com a localização geográfica – se em Portugal 56% das pessoas partilham desta opinião, em Hong Kong 40% dos participantes afirma que ver um ou mais episódios de uma série sem o parceiro de streaming é pior que manter um caso extraconjugal.

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