Cinema Novo e MPB clássica: eis os 20 anos do Festival de Cinema Luso-Brasileiro

Entre 4 e 11 de Dezembro, Santa Maria da Feira mostra um apanhado da produção portuguesa recente e uma mão-cheia de títulos brasileiros, novos e clássicos.

Foto
Artista Brasileiro: Miguel Faria Jr. encontra Chico Buarque DR

É ao som da música brasileira que o Festival de Cinema Luso-Brasileiro, organizado pelo Cine-Clube da Feira, celebra os seus 20 anos de existência. A edição 2016 abre este domingo, dia 4, com Elis, biopic dirigido por Hugo Prata com Andreia Horta no papel da cantora Elis Regina, e encerra no dia 11 com o documentário de Miguel Faria Jr. sobre Chico Buarque, Artista Brasileiro. Pelo meio mostrar-se-á igualmente a curta de 1983 Vinicius, um Rapaz de Família, dirigida pela sua filha mais velha, Suzana de Moraes (falecida em 2015), “emparelhada” com Ruína, curta de Gabraz protagonizada por Maria Bethânia.

O 20.º festival de Santa Maria da Feira destaca igualmente uma das figuras do Cinema Novo, o realizador Leon Hirszman (1937-1987), com a exibição de três longas centrais do cinema brasileiro – A Falecida (1965), São Bernardo (1972) e Eles Não Usam Black-Tie (1981), este último Prémio Especial do Júri no festival de Veneza. A Falecida faz parte de um pequeno programa de adaptações do dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues (1912-1980), em que partilha o écrã com Os Sete Gatinhos (1980), de Neville d’Almeida, e A Serpente, do pernambucano Jura Capela. Este último – protagonizado por Lucélia Santos – é também um dos seis filmes, todos eles brasileiros, escalados para a secção competitiva. Os outros são A Cidade onde Envelheço, de Marília Rocha (co-produção portuguesa, já mostrada no Doclisboa), a comédia absurdista Animal Político, de Tião, Borrasca, de Francisco Garcia, Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert, e Elis. Nas curtas-metragens concorrem 13 títulos, maioritariamente portugueses, entre os quais os premiados do Curtas Vila do Conde António Lindo António, de Ana Maria Gomes, e A Brief History of Princess X, de Gabriel Abrantes, e ainda Campo de Víboras, de Cristèle Alves Meira (exibido na Semana da Crítica de Cannes).

O festival, a decorrer até 11 de Dezembro no Auditório Municipal de Santa Maria da Feira, apresenta ainda Últimas Conversas, filme póstumo de Eduardo Coutinho (Cabra Marcado para Morrer), Beduíno, o mais recente título do prolífero Júlio Bressane, e dois documentários portugueses igualmente exibidos no Doclisboa, Como me Apaixonei por Eva Ras, de André Gil Mata, e Nos Interstícios da Realidade – o Cinema de António de Macedo, de João Monteiro. Em comemoração dos 20 anos de existência do certame, a secção Vintage recupera, ao longo de dez sessões, um vasto leque de curtas-metragens exibidas no festival, entre os quais se contam títulos de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, João Nicolau, Gabriel Abrantes ou Walter Salles.

O calendário completo das sessões, bem como a totalidade do programa, podem ser consultados no site oficial em www.cineclubedafeira.net .