Júlio Bressane é o nosso herói

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O cineasta brasileiro vai ser o Heroi Indie, de 5 a 15 de Maio

Uma retrospectiva com 17 dos seus 29 filmes foi o meio encontrado pelo IndieLisboa para homenagear o cineasta brasileiro Júlio Bressane, o "herói" da edição deste ano do Festival Internacional de Cinema Independente. De 5 a 15 de Maio, a 8.ª edição do Indie vai mostrar a sua programação nas salas lisboetas do Cinema São Jorge, da Culturgest, do Teatro do Bairro e, pela primeira vez, da Cinemateca Portuguesa.

É precisamente na Cinemateca que o público poderá ver grande parte da obra de Júlio "Herói Independente" Bressane, 65 anos, nome de referência do chamado Cinema Marginal brasileiro e fundador, em 1970, com o cineasta Rogério Sganzerla, da Belair Filmes, empresa destinada à produção rápida de filmes com baixos orçamentos. Os filmes da Belair, diz o historiador de cinema Fernão Pessoa Santos, citado no material de divulgação do festival, são dominados por "um clima de desespero": "A atracção pelo abjecto (sangue, vómito, lixo e outras substâncias escatológicas) é recorrente. São filmes que mostram uma juventude que responde, à sua maneira, aos horrores e temores de uma época difícil e autoritária, esboçando uma relação de agressão com o espectador, que impede à consciência burguesa a fruição do espectáculo do cinema." Bressane, que viu um dos seus filmes censurado e que durante três anos trocou o Brasil da ditadura por Londres, começa a sua retrospectiva portuguesa com "O Anjo Nasceu" (1969) e termina, já em 2008, com "A Erva do Rato". Pelo meio há títulos como "Matou a Família e foi ao Cinema" (1969, o filme censurado), "Memórias de um Estrangulador de Loiras" (1971), "Cinema Inocente" (1979) e "Quem seria o feliz conviva de Isadora Duncan?" (1990).