Turistas chineses gastam mais de 600 euros em compras quando visitam Portugal

Norte-americanos e moçambicanos passaram a estar entre as cinco nacionalidades que mais desembolsam em compras tax free. Russos saíram da lista.

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Miriam Lago

Compram muitas vezes e desembolsam grandes quantias de dinheiro. Em 2015, os turistas chineses gastaram 641 euros em compras — o valor médio mais elevado entre visitantes não europeus. De acordo com a Global Blue, empresa que gere operações de tax free (reembolso de IVA), são a terceira nacionalidade mais importante no que toca ao turismo de compras e estão a aumentar os seus gastos. Em 2011, por exemplo, a compra média destes visitantes cifrou-se nos 560 euros. Valores muito distantes do que gastam, por exemplo, os passageiros de cruzeiro que desembarcam em Lisboa: 193,49 euros em 2014, de acordo com um estudo recente.

No que toca às compras tax free, os chineses representam uma fatia de 14% de um bolo dominado por Angola (43%) e Brasil (16%), que lideram em termos de gastos totais. Em comparação com 2014, o número de transacções feitas cresceu 73% e o valor total despendido subiu 18%. Mas a surpresa de 2015 não foram os gastos expressivos dos chineses, mas sim a entrada dos Estados Unidos e de Moçambique na lista dos cinco mercados mais importantes, a par da saída da Rússia, até agora um actor importante no turismo de compras, sobretudo, de luxo.

"Este 'top 5' tem uma grande novidade que são os norte-americanos e o regresso dos moçambicanos. A Rússia, tal como sucedeu em toda a Europa, deixou de fazer tanto turismo de compras desde o conflito [na Ucrânia] e a desvalorização do rublo. Estão a deixar de fazer compras fora do país e a comprar mais internamente", explica Renato Lira Leite, responsável pela Global Blue em Portugal. A empresa calcula que no ano passado o número de compras dos turistas russos em Portugal caiu 42%.

Com o dólar a valorizar-se, as compras dos norte-americanos cresceram 42% face a 2014 e o valor médio por compra 29%, atingindo, em média, os 493 euros. "Foram a grande novidade", comenta Renato Lira Leite, acrescentando que pesam 3% no mercado. Já os visitantes de Moçambique, cujos gastos pesam 4% no total, desembolsaram 227 euros em média, aumentaram em 23% o número de compras e em 27% o valor total despendido.

É de Angola que continua a vir a maioria dos visitantes que pedem a recuperação do IVA nas compras que efectuaram. A crise do petróleo trouxe dias difíceis para a economia angolana e o gasto médio do turista foi de 273 euros, quando em 2011 era de 350 euros. O número de compras desceu 8% e o valor total gasto 11%, em comparação com 2014.

"Não surpreende que Angola se mantenha como o principal mercado, até pelas questões históricas que unem os dois países. Portugal é um destino de eleição para as compras, não obstante a desvalorização do cuanza e a crise do preço do petróleo. O seu peso no mercado continua a ser imenso, mas já foi mais importante. Em 2014 representava 46 a 47%", detalha a responsável da Global Blue.

Marcas de luxo, como a Louis Vuitton ou a Prada, atraem os turistas com maior capacidade financeira, mas as marcas nacionais têm “poder de atracção” e estão a crescer. Renato Lira Leite garante que os turistas procuram artigos exclusivos, únicos, que gostam de exibir quando regressam a casa. “Há um conjunto de marcas nacionais que tem vindo a crescer, que oferece artigos exclusivos que fazem toda a diferença e que tem grande impacto junto dos turistas chineses e norte-americanos”, comenta, dando como exemplo a Machado Joalheiro ou a Maria João Bahia.

Olhando para Lisboa, a compra média registada na capital é de 335 euros. Os chineses, que, em termos nacionais, gastam em média 641 euros, na capital desembolsam 765 euros. Vestuário e moda, relojoaria e joalharia são as categorias de produtos em que os turistas em geral mais dinheiro gastam.