Coligação 4,3 pontos à frente do PS

Sondagem Intercampus para PÚBLICO, TVI e TSF aponta para uma maioria relativa do PSD-CDS, embora a maior parte dos inquiridos diga preferir um governo de coligação de esquerda.

Passos e Portas recuperam da desvantagem da grande sondagem de 8 de Julho e estão agora na frente das intenções de voto Miguel Manso

Veja aqui todos os dados da sondagem, incluindo a ficha técnica

Mas se a coligação PSD-CDS está em primeiro lugar, António Costa surge à frente na resposta à pergunta sobre em qual dos líderes tem mais confiança para ser primeiro-ministro. Enquanto o líder socialista tem 35,5% de respostas favoráveis, Passos Coelho recolhe 35,2%.

Estes 4,3 pontos de avanço da coligação sobre o PS estão ainda dentro do conceito de empate técnico, uma vez que a margem de erro desta sondagem é de 3,1 pontos percentuais — o que significa que as estimativas de intenção de voto em cada partido podem variar 3,1 pontos para cima ou para baixo. Ou seja, só no caso de uma diferença de 6,2 pontos é que os intervalos projectados para a coligação e o PS deixam de estar sobrepostos.

Na mesma sondagem, a CDU atinge com a projecção de indecisos 8,8% e o BE 7,9%. No resultado com projecção, os outros partidos atingem a soma de 6,5% e os brancos e nulos os 6,7%. Refira-se que nesta sondagem, antes das projecções dos 1013 inquiridos pela Intercampus, 114 responderam “não sei em quem votaria”, ou seja, 11,3% assumiram-se como indecisos.

Compare aqui com os dados da sondagem de 8 de Julho

Também nos resultados em bruto 105 inquiridos responderam que não votariam, isto é, a sondagem assinala 10,4% de abstenção. Quanto aos partidos, no resultado em bruto, a coligação atinge os 29,1% das intenções de voto e o PS os 25,8%, a CDU tem 6,9%, o BE obtém 6,2%, o PDR fica com 1,3% e o PAN 0,8%.

Comparando com a tracking poll da Intercampus, editada pelo PÚBLICO, o resultado final da coligação era 38,4% e o PS tinha 32,1%, a CDU obtinha 8,4%, o BE ficava com os mesmos 7,9%. Já em relação à sondagem da Intercampus publicada a 8 de Julho deste ano pelo PÚBLICO há uma inversão de posições na liderança – ou seja, a coligação tinha então 32,7% e o PS atingia os 37,6%. A CDU estava com 11% e o BE com 6%.

Na sondagem hoje divulgada, perante a pergunta sobre quem os inquiridos pensam que vai ganhar, 38,6% dizem que é a coligação e 38,1% afirma ser o PS. Isto, quando 29,4% dos inquiridos se afirmam próximos do PS e 27,5% da coligação.

Costa à frente
A avaliação dos líderes feita pelos inquiridos na sondagem em urna feita pela Intercampus aponta o líder do PS, António Costa, em primeiro lugar, com 4,5 pontos de média numa escala de 0 a 10. Segue-se Catarina Martins, porta-voz do BE, com 4,4 de média. Em seguida fica o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, com 4,1 pontos em média. Passos Coelho, presidente do PSD e líder da coligação Portugal à Frente, obtém uma média de 3,8. O outro parceiro da coligação e presidente do CDS, Paulo Portas, tem 3 pontos de média, valor que é obtido também por Marinho e Pinto.

Na avaliação dos líderes, as perguntas que pretendem comparar as características de primeiro-ministro que os inquiridos reconhecem em Passos Coelho e em António Costa dão um resultado em que os dois líderes surgem bastante próximos. António Costa fica em primeiro quanto à capacidade de “fazer crescer a economia”, de “combater o desemprego”, fazer “diminuir as despesas públicas”, de “estabelecer as políticas sociais correctas”. Já Passos fica em primeiro lugar no que diz respeito a “dialogar com a Europa”, a “negociar com os credores internacionais” e “fazer políticas de austeridade correctas”.

Quanto ao tipo de governo, 51,7% dos inquiridos preferem um governo com maioria absoluta e 38,4% afirmam-se favoráveis a um resultado que permita um governo de mais de um partido. Já perante a pergunta sobre que tipo de governo de coligação preferem, 35,9% responderam preferir uma “coligação de partidos de esquerda moderada”, enquanto 34,5% optaram por um “governo de coligação entre partidos de poder”.

No que se refere ao futuro governo e às prioridades que este deve eleger como suas, o primeiro lugar vai para “criação de mais emprego”, com 83,6% de escolhas. Em segundo surge a “recuperação do poder de compra das famílias, com 52%. A diminuição de impostos surge em terceiro, com 48,4%, seguindo-se a garantia de “condições para o crescimento da economia”, com 37,6%. Em quinto lugar aparece a ideia de “repor os cortes feitos nas pensões”, com 31%. O apoio às médias e pequenas empresas obtém 25,2% das preferências e a sustentação da Segurança Social atinge 23,3% das escolhas.

Já à pergunta sobre como pensam que as pessoas se sentem hoje em comparação com há quatro anos, 38,8% dizem que “pior”. A avaliação da campanha é indefinida, já que 36,9% dos inquiridos dizem que ela “não fará ganhar nem perder votos”, enquanto 35,9% consideram que “fará ganhar votos”.

Ficha técnica da sondagem PÚBLICO/TVI/Intercampus

Sondagem realizada pela Intercampus para o PÚBLICO e TVI, com o objectivo de conhecer a opinião dos portugueses sobre diversos temas da política nacional, incluindo a intenção de voto para as próximas eleições legislativas de 2015.

O universo é constituído pela população portuguesa, com 18 e mais anos de idade, eleitoralmente recenseada, residente em Portugal Continental.

A amostra é constituída por 1013 entrevistas, com a seguinte distribuição proporcional por sexo, idade, região e habitat.

A distribuição por género é: homens (46,6%) e mulheres (53,4%). A distribuição por idade é a seguinte: 18-24 anos (9,2%), 25-34 (15,9%), 35-44 (18,8%), 45-54 (17,4%), 55-64 (14,9%), 65-74 (12,4%), mais de 75 anos (11,5%). A distribuição geográfica dos inquiridos é: Norte (36,6%), Centro (23,8%), Lisboa (27,5%), Alentejo (7,6%) e Algarve (4,4%).

A amostra foi estratificada proporcionalmente por região. Os lares foram seleccionados aleatoriamente a partir de uma matriz de estratificação que compreende a Região (5 Regiões) e Habitat/Dimensão dos agregados populacionais (6 grupos).

Os respondentes foram seleccionados através do método de quotas, com base numa matriz que cruzou as variáveis Sexo e Idade (7 grupos). O cruzamento destas variáveis garantiu uma distribuição proporcional da amostra em relação à população portuguesa em estudo.

Estas variáveis foram definidas com base no Recenseamento Eleitoral da População Portuguesa (31/12/2014), da Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI).

A informação foi recolhida através de entrevista directa e pessoal, com base em questionário estruturado e elaborado pela Intercampus, utilizando a técnica de simulação de voto em urna.

Os trabalhos de campo decorreram entre 23 e 30 de Setembro de 2015.

Estiveram envolvidos 41 entrevistadores, devidamente treinados para o efeito, sob a supervisão dos técnicos responsáveis pelo estudo.

Margem de erro

O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de ± 3,1%.

Taxa de resposta

A taxa de resposta obtida neste estudo foi de: 60,2%.