Torne-se perito

Governo não explica como vão ser resolvidas perdas no Novo Banco

Relatório do FMI diz que conclusão da venda vai demorar vários meses.

O Novo Banco surgiu em Agosto com a separação, pelo Banco de Portugal, do BES em duas entidades
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O Novo Banco surgiu em Agosto com a separação, pelo Banco de Portugal, do BES em duas entidades Miguel Manso

O montante da venda do Novo Banco dificilmente chegará aos 4900 milhões de euros aplicados na instituição pelo Fundo de Resolução, mas o Governo ainda não explicou à troika de credores como é que irá ser resolvido o problema da diferença de valor, que ficará a cargo dos restantes bancos.

O Estado aplicou 3900 milhões de euros no Fundo, ficando as instituições financeiras responsáveis pelos outros mil milhões, com o Governo a afirmar que qualquer diferença negativa no negócio será sempre acomodada pelos bancos.

A questão é que, como assinala o FMI no relatório publicado esta quinta-feira, as autoridades portuguesas “ainda não especificaram os detalhes do mecanismo de alocação de perdas” se o valor da venda for inferior aos 4900 milhões aplicados em Agosto do ano passado quando o Banco de Portugal fez a intervenção no BES.

Sobre o processo de venda, o FMI destaca a existência de três pretendentes (Fosun, Angbang e Apollo), tendo recentemente o Banco de Portugal informado que o prazo para a entrega das propostas definitivas foi prolongado até dia 7 de Agosto.

O processo de análise regulatória sobre a alienação do Novo Banco terá início quando for assinado o contrato de compra e venda com o vencedor, e só após as devidas autorizações é que a operação poderá ficar fechada. Isto, assinala o FMI, irá demorar “vários meses”, destacando ainda que a alienação do Novo Banco vai obrigar a rever as contas do Governo do ano passado, de modo a reflectir o impacto orçamental da recapitalização pública da instituição. Essa alteração, no entanto, será vista pela troika como um evento extraordinário.

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