Torne-se perito

Oposição pede análise "mais fina" aos números do desemprego

PSD e CDS-PP saúdam esforço das empresas e dos portrugueses.

O IEFP paga uma parte das bolsas dos contratos-inserção
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O IEFP paga uma parte das bolsas dos contratos-inserção

Como sempre acontece, as reacções partidárias aos dados do desemprego foram distintas consoante o quadrante político. Do arco de governação chegaram mensagens de contentamento e optimismo, enquanto a oposição colocava dúvidas sobre a qualidade dos números.

"Os dados hoje [ontem] conhecidos do INE demonstram, mais uma vez, que a trajectória do desemprego tem sido consolidada em Portugal desde há 20 meses. O desemprego tem vindo a descer. Atingimos agora uma taxa de 13,1%", disse o deputado social-democrata Hugo Soares, que saudou, ainda, o esforço das empresas e dos portugueses, que cada vez mais conseguem criar emprego".

No mesmo sentido foi a reacção da deputada Cecília Meireles (CDS-PP). "Muitas vezes, a crítica que ouvimos é a de que os números do desemprego não têm a ver com a criação de emprego, mas sim com outros factores. Mas também aqui se mostra com números que tal não é verdadeiro. Se olharmos para aquilo que era a população empregada no mesmo trimestre que estamos a analisar, vemos que aumentou em 97.500 pessoas", disse a deputada, no Parlamento.

O PCP defende “uma análise mais fina” dos números do desemprego com o deputado Paulo Sá a sustentar que "nem todos os que deixaram de estar desempregados arranjaram emprego". “Se olharmos para este mesmo período [3º trimestre], verificamos que emigraram cerca de 63 mil portugueses e foram para cursos de formação cerca de 43.500 trabalhadores. Ou seja, mais de 100 mil trabalhadores, deixando de contar para as estatísticas do desemprego".

Pelo PS, o deputado Nuno Sá considerou "positivo" o balanço do INE, mas avisou para o efeito da emigração e da ocupação de trabalhadores de diversas formas. "Com toda a naturalidade, assumimos que a baixa do desemprego e notícias, factos e números que apontem nesse sentido, é algo que devemos saudar e é positivo para o nosso país", afirmou, embora salvaguardando que, "por um lado, há uma emigração que continua a agravar-se, e, por outro, um número de trabalhadores ocupados muito grande".

A deputada do BE Mariana Aiveca considerou que o Governo não tem razão para "foguetório". "O número de 13,1% de desemprego é uma preocupação grande e reflecte um desemprego estrutural muitíssimo alto. O Governo não tem nenhuma razão para fazer um foguetório com estes números porque, na nossa perspectiva, eles estão mascadaros", disse.

Segundo a parlamentar, "não estão considerados os estágios profissionais, os Contratos Emprego Inserção, o trabalho voluntário e também o número de trabalhadores que emigraram".

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