Exportações do turismo crescem 7,5% e ultrapassam barreira dos 9000 milhões

Serviços impulsionam subida de 5,7% no global das vendas para o exterior.

O Alqueva tem sido uma das estrelas das campanhas de turismo alentejano
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No ano passado, Estados Unidos protagonizaram maior subida dos gastos no turismo português Rui Gaudêncio

As exportações do turismo cresceram 7,5% em 2013 ultrapassando a barreira dos 9000 milhões de euros. O sector continua a representar uma fatia importante (45%) das vendas de serviços para o exterior, que impulsionaram uma subida global de 5,7% no comércio internacional.

De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Banco de Portugal, as receitas turísticas alcançaram 9249,6 milhões de euros entre Janeiro e Dezembro do ano passado, o que significou um aumento homólogo de 7,5% face aos 8605,5 milhões de 2012.

As exportações no sector do turismo e viagens, medidas pelos gastos feitos por estrangeiros em Portugal, superam largamente as importações (3119,7 milhões de euros), resultando num excedente de quase 6130 milhões de euros em 2013.

As receitas turísticas representam uma fatia importante da prestação de serviços para o exterior, com um peso de 45% (e de 13,6% do comércio internacional global, incluindo a venda de bens). Com as receitas turísticas geradas em 2013, o peso do sector no Produto Interno Bruto (estimado em 165.379 milhões de euros) fixou-se em 5,6% – um aumento de 0,4 pontos percentuais face ao período homólogo.

O sector registou, em 2013, um incremento de 5,2% nas dormidas e de 5,4% nos proveitos da hotelaria. Resultados que foram muito suportados nos visitantes estrangeiros, já que o mercado interno, apesar da recuperação sentida em Novembro e Dezembro, continuou em queda.

Em 2013, as exportações de serviços alcançaram os 20.565 milhões de euros, após uma subida homóloga de 7,7%. Este crescimento fez com que os serviços passassem a representar 30,1% do total das exportações, quando em 2012 tinham um peso de 29,6%. O acréscimo, em termos absolutos, de 1467 milhões de euros no ano passado impulsionou a subida global do comércio para o exterior.

Em 2013, as exportações de bens aumentaram 4,6% (com o forte contributo do sector dos combustíveis, sem o qual o acréscimo teria sido de 2,1%), mas o crescimento global fixou-se em 5,7% para 68.218 milhões de euros contabilizando os serviços, revelam os dados do Banco de Portugal. 

Estes números contribuíram para que, em Portugal, se registasse durante o ano passado, um excedente do saldo global com o estrangeiro. Segundo os números agora divulgados pelo Banco de Portugal, o saldo balança corrente e de capital ascendeu em 2013 a 2,6% do PIB, uma melhoria face aos 0,3% registados em 2012 (o primeiro ano de excedente após vários anos de défice elevados). Para 2014, o banco central está a apontar para um excedente de 3,8% do PIB.

O FMI, no relatório da décima avaliação ao programa português, defendeu que estes excedentes podem não ser sustentáveis. Em particular referiu que a correcção do saldo externo verificada em Portugal se deve fundamentalmente à queda das importações e ao aumento das exportações de bens energéticos. Quando o consumo recuperar, as iportações podem aumentar e a venda de combustíveis para o estrangeiro está também dependente de um eventual esgotamento da capacidade instalada das refinarias portuguesas.

O FMI destacou também o papel decisivo que o turismo está a ter nas exportações de serviços, assinalando que também este desempenho está demasiado dependente da conjuntura dos países de origem dos turistas. E como exemplo, deu o aumento da vinda de turistas franceses que poderão estar pontualmente a substituir as idas para os países do Magrebe por visitas a Portugal.


 


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