Eurogrupo: Grécia vai precisar de “algo mais” quando terminar plano de resgate

Plano exigido pelos credores para Atenas receber os empréstimos termina em 2014 e “um novo programa será necessário”, diz o presidente do Eurogrupo.

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Depois do Governo alemão, da Comissão Europeia e do BCE, agora foi a vez de o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, admitir que a Grécia poderá precisar de um terceiro resgate financeiro. “Algo mais terá que acontecer”, disse, em entrevista ao diário holandês Het Financieele Dagblad.

“Um novo programa será necessário porque o actual pacote de ajuda termina no final de 2014”, afirmou, em linha com a posição assumida esta semana pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, e que colocou de novo os responsáveis europeus a falar sobre o futuro do programa de ajustamento económico e financeiro da Grécia.

Para Dijsselbloem, também ministro das Finanças da Holanda, os problemas da economia helénica não vão estar resolvidos quando o actual programa terminar, razão pela qual diz que “algo mais” terá de ser equacionado pela zona euro – o quê, em concreto, não diz.

Wolfgang Schäuble foi taxativo, na terça-feira, ao afirmar que será “necessário um novo programa” para a Grécia, um cenário que a Comissão Europeia como o BCE não excluem, deixando tudo em aberto sobre o programa grego.

O comissário para os Assuntos Económicos e Financeiros, Olli Rehn, diz que a resposta europeia pode passar por um prolongamento dos prazos dos empréstimos. E o alemão Jörg Asmussen, membro da comissão executiva do BCE, afirmou na quarta-feira em Atenas: “A Europa vai avaliar as medidas e uma assistência suplementar se a Grécia tiver conseguido um excedente primário [orçamental] anual e se o plano de consolidação orçamental estiver a correr bem”.

O Governo alemão tentou, ao mesmo tempo, reduzir o ruído à volta da afirmação de Wolfgang Schäuble, que já tinha falado na hipótese de os gregos precisarem de mais financiamento dos credores internacionais (um cenário que não causa surpresa nos mercados financeiros), mas esta semana foi mais incisivo.

A repercussão pública do discurso do ministro alemão das Finanças a um mês das eleições legislativas na Alemanha (a 22 de Setembro) obrigaram a chanceler alemã a voltar ao tema. Na quinta-feira, Merkel remeteu uma decisão para 2014 e afirmou: “O que Schäuble disse sobre a Grécia ontem [terça-feira], toda a gente sabia”.