Venezuela disponível para receber Snowden

Equador diz que poderá levar um dia ou meses a responder a pedido de asilo político e nega ter autorizado passaporte a norte-americano.

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A resposta ao pedido de asilo político feito ao Equador por Edward Snowden, antigo consultor informático acusado de espionagem e roubo de informação, pode levar “um dia ou meses”. O Equador recusa qualquer pressão no caso e afirma que ainda está a analisar o pedido. Enquanto não chega uma decisão, o Presidente da Venezuela abriu as portas do país àquele que se tornou um dos homens mais procurados pelos Estados Unidos.

Segundo uma informação avançada por Julian Assange, fundador da Wikileaks, o Equador teria emitido um passaporte ou um salvo-conduto de refugiado permitindo ao norte-americano a entrada naquele país. O ministro dos Negócios Estrangeiros equatoriano, Ricardo Patiño, negou porém essa informação. Assange viu o Equador dar-lhe asilo, mas o fundador da Wikileaks, organização que está a fornecer apoio jurídico a Snowden, continua a viver na embaixada equatoriana em Londres.

O chefe da diplomacia do Equador indicou que a análise ao pedido de Snowden está a decorrer e que não há dia marcado para o anúncio de uma decisão. A reacção de Patiño parece ser também uma resposta a uma mensagem enviada a Quito por Washington, cujo conteúdo não foi tornado público mas que deverá renovar o pedido de colaboração das autoridades equatorianas no caso Snowden.

Se não há resposta do Equador, a Venezuela parece ter-se antecipado a um eventual pedido de asilo político. O Presidente Nicolás Maduro afirmou na quarta-feira que o país aceitará, de forma “quase certa”, um apelo de Snowden. “Se nos pedir, vamos reflectir, e é quase certo que daremos acordo, porque o asilo político (…) é uma instituição do direito humanitário internacional para proteger as pessoas perseguidas”, argumentou Maduro, citado pela AFP.

E onde está Snowden?
Enquanto a nível diplomático a tensão se mantém elevada – a troca de palavras entre os Estados Unidos, Rússia e China tem aumentado de tom -, o paradeiro exacto de Snowden continua incerto.

Snowden deverá estar ainda em trânsito no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscovo, e nesta quinta-feira não existia qualquer voo com o norte-americano na lista de passageiros. Nem havia registo de pedido de um visto em seu nome. Depois de ter voado dos Estados Unidos para Hong Kong, quando revelou informações polémicas sobre Agência Nacional de Segurança (NSA), Snowden viajou até Moscovo, onde estará desde o último domingo.

Na segunda-feira tinha voo marcado para Cuba mas nunca chegou a entrar no avião que o iria levar até Havana. Nem Snowden, nem Sarah Harrison, assistente e consultora de Julian Assange, que desde o início do caso tem demonstrado total apoio ao norte-americano. Harrison viajou com Snowden desde Hong Kong e é esperado que o acompanhe numa eventual próxima viagem.

Segundo as autoridades russas, citadas pela Reuters, Snowden poderá manter-se em trânsito “enquanto o entender”, sem que tenha de pedir qualquer documentação.

Snowden pode ficar em trânsito por tempo indeterminado com base numa lei russa que permite emitir um visto de dez dias, renovável, a uma pessoa que não pode abandonar o país devido a “circunstâncias excepcionais”, como a anulação de um passaporte, explica o diário russo Védomosti, citado pela AFP. Os Estados Unidos anularam o passaporte a Snowden desde que rebentou o escândalo de espionagem.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse aos Estados Unidos que não irá extraditar Snowden, mas afirma que o norte-americano deveria escolher um novo destino rapidamente e abandonar Moscovo.