Os últimos dias de venda de peixe no Mercado José Estêvão têm um sabor a despedida

Edifício, datado de 1904, vai passar a ser explorado por privados, ficando ao serviço de um projecto marcadamente gastronómico

PRACA DO PEIXE NO BAIRRO DA BEIRA MAR EM AVEIRO VAI ENCERRAR DE VEZ
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Depois deste sábado, os vendedores mudam-se para um outro mercado da cidade, o Manuel Firmino ADRIANO MIRANDA / PUBLICO
MERCADO DO PEIXE NO BAIRRO DA BEIRA MAR EM AVEIRO VAI ENCERRAR DE VEZ
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PRACA DO PEIXE NO BAIRRO DA BEIRA MAR EM AVEIRO VAI ENCERRAR DE VEZ
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Depois deste sábado, os vendedores mudam-se para um outro mercado da cidade, o Manuel Firmino ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

O cheiro a peixe fresco que se sente ainda antes de entrarmos no edifício tem os dias contados. Em breve, todo aquele interior ladeado por ferro e vidro ganhará novos odores e também outras vivências. O Mercado José Estêvão, a que Aveiro sempre chamou Mercado do Peixe, está prestes a deixar de fazer justiça ao nome pelo qual é conhecido. Depois deste sábado, os vendedores mudam-se de armas e bagagens para um outro mercado da cidade, o Manuel Firmino, libertando o imóvel, datado de 1904, para o novo fim que lhe está destinado: irá estar ao serviço da gastronomia e da cultura, no âmbito de um concurso de concessão já adjudicado pela autarquia. Para quem ali tem feito vida, é tempo de despedida, com a tristeza própria de quem começou a viver de e para o mercado no colo da mãe.

“Quando atravessar aquela porta, vou sentir muita tristeza”, desabafa Fátima Sousa, vendedora de peixe no José Estêvão há mais de 50 anos. Ainda que seja favorável à mudança, há todo um passado que tem de deixar para trás. “Já vinha para aqui vender com a minha mãe”, conta, antes de dar nota das expectativas positivas que tem em relação àquele que será o seu novo posto de venda. “O Manuel Firmino tem estacionamento e isso facilita-nos muito a vida, a nós e aos clientes”, argumenta, assegurando que, desde que a zona envolvente do Mercado do Peixe - o Rossio - entrou em obras, os clientes desapareceram. “Se não fosse a restauração, não vendia”, garante.

Menos optimistas estão João Rocha e Maria Joaquina. Ele começou a ir para aquela praça ainda bebé, “dentro de uma canastra”, levado pela mãe; ela já contabiliza mais de vinte anos a amanhar e a vender enguias, iguaria típica da região. “Não faço barulho, mas se pudesse ficava aqui”, declara Maria Joaquina ao PÚBLICO. “Aqui, estou ao lado dos meus clientes, que são os restaurantes. Quando mudar, vou ter de andar de bicicleta eléctrica a fazer as entregas”, sustenta. Já João Rocha mostra-se preocupado com o facto de a cidade estar a perder identidade. “O Mercado do Peixe sempre foi aqui. Os turistas gostam de vir porque isto é genuíno, não é um espaço criado para eles”, argumenta.

Depois deste sábado, os vendedores mudam-se para um outro mercado da cidade, o Manuel Firmino ADRIANO MIRANDA / PUBLICO
Depois deste sábado, os vendedores mudam-se para um outro mercado da cidade, o Manuel Firmino ADRIANO MIRANDA / PUBLICO
Depois deste sábado, os vendedores mudam-se para um outro mercado da cidade, o Manuel Firmino ADRIANO MIRANDA / PUBLICO
Depois deste sábado, os vendedores mudam-se para um outro mercado da cidade, o Manuel Firmino ADRIANO MIRANDA / PUBLICO
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Depois deste sábado, os vendedores mudam-se para um outro mercado da cidade, o Manuel Firmino ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

Enquanto conversamos com Fátima, João e Maria, são mais os que passam para tirar fotos às bancas do que os que chegam com o propósito de comprar, sendo que, para estes últimos, a mudança parece não causar transtorno. “Acabei de vir do Manuel Firmino para comprar legumes e fruta. Assim, passo a comprar tudo no mesmo sítio”, testemunhava Manuela Cunha, antes de começar a olhar para as várias opções de peixe expostas nas bancas. Também Rosa Iglésias parecia agradada com a ideia de a partir de dia 17 - data prevista para a activação da venda de peixe no Manuel Firmino - ter tudo concentrado num só sítio.

“Novo” Mercado do Peixe dentro de três meses

A ideia de dar nova vida ao Mercado do Peixe não é nova - o espaço chegou, inclusive, a servir de palco a alguns eventos gastronómicos e de animação - e a própria transferência de vendedores para o Manuel Firmino também já foi testada, ainda que provisoriamente. “Por causa das obras que ali realizámos, ainda no meu primeiro mandato, e financiadas pelo programa Mar2020, os vendedores foram transferidos. Quando foi para sair foi um problema, mas a verdade é que a venda correu muito melhor e quando a obra acabou eles já não queriam voltar”, enquadra Ribau Esteves, líder da autarquia.

Perante este cenário, o executivo municipal iniciou uma “reflexão”, consciente de que “durante cinco anos, por força das regras do financiamento, não era possível dar outro uso ao mercado”. “Terminado esse período, voltámos à discussão e entendemos que a integração de uma ‘ilha’ de peixe no Manuel Firmino é uma boa solução, diversificando a oferta”, começa por justificar o autarca. Segunda conclusão: “a razão de ser do mercado do peixe acabou; já não temos pescadores no bairro da Beira-mar”, acrescenta Ribau Esteves.

A concessão da gestão e exploração do Mercado José Estêvão irá estender-se por dez anos, pelo valor mensal de 12.617,89 euros (mais IVA), e assentará num projecto marcadamente gastronómico, tanto no restaurante já existente no primeiro piso, como no espaço do rés-do-chão, “em regime de esplanada”. As estimativas do presidente da autarquia aveirense passam por ver o Mercado José Estêvão a iniciar a sua nova vida dentro de três meses.

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