Violência sexual como “arma de guerra”: ONU pede “investigação independente” de denúncias

Somam-se as denúncias que chegam às Nações Unidas sobre assédio, violações e violência sexual contra mulheres e raparigas na Ucrânia.

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Tropas pró-russas em Mariupol Reuters/ALEXANDER ERMOCHENKO

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu esta segunda-feira uma “investigação independente” aos vários relatos de violações e violência sexual contra mulheres na guerra na Ucrânia, de forma a garantir justiça e atribuição de responsabilidade por esses crimes.

Numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a situação humanitária na Ucrânia, a directora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, denunciou o assédio e violência que as mulheres têm sentido e alertou para o aumento do tráfico de seres humanos à medida que a situação na Ucrânia se torna “mais desesperante”.

“Cada vez mais ouvimos falar de violações e violência sexual. Essas alegações devem ser investigadas de forma independente para garantir justiça e responsabilidade. (…) Mulheres jovens e adolescentes desacompanhadas correm um risco particular”, disse Sima Bahous.

“A combinação do deslocamento em massa com a grande presença de recrutas e mercenários, e a brutalidade exibida contra civis ucranianos, levantou todas as bandeiras vermelhas. (…) Mulheres jovens que saíram de casa à noite, famílias separadas, o medo constante do futuro. Este trauma corre o risco de destruir uma geração. Devemos continuar com o nosso apoio”, apelou.

Deixou, ainda, um pedido ao Conselho de Segurança da ONU: que garanta “a participação significativa de mulheres e meninas, inclusive de grupos marginalizados, em todos os processos de tomada de decisão, paz, diplomacia e humanitários”.

No mesmo sentido, a embaixadora norte-americana junto da ONU, Linda Thomas-Greenfield, uma das diplomatas que convocou esta reunião, denunciou que mulheres e crianças estão a ser violadas e abusadas e declarou que o que está a acontecer na Ucrânia “é horrível, além da compreensão”.

“Quando homens como o Presidente [da Rússia, Vladimir] Putin iniciam guerras, mulheres e crianças são deslocadas. (…) 90% dos refugiados da Ucrânia são mulheres e crianças e isso representa um risco adicional. As mulheres na Ucrânia estão em maior risco de violência baseada em género, incluindo violação, agressão sexual e exploração sexual”, salientou a representante norte-americana.

As denúncias não pararam de chegar e também a presidente da La Strada Ucrânia, organização para a igualdade de género, direitos das crianças e prevenção da violência contra mulheres, afirmou que a ONG já recebeu nove denúncias de violação, que envolvem 12 mulheres e raparigas.

“Isto é apenas a ponta do icebergue”, disse através de uma videochamada. “Nós sabemos e vemos — e exigimos que nos ouçam — que a violência e a violação estão a ser usadas como armas de guerra pelos invasores russos.”

As Nações Unidas já tinham garantido na semana passada estar a averiguar os alegados crimes sexuais cometidos pelas tropas de Moscovo, e acusações de que também os soldados ucranianos seriam responsáveis por violência sexual contra mulheres.

A comissária de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano, Liudmila Denisova, diz ser testemunha de actos de brutal violência sexual em Bucha e noutras cidades, incluindo um caso em que mulheres e raparigas foram aprisionadas numa cave durante 25 dias, como avançou o New York Times. De acordo com Denisova, nove dessas vítimas estão agora grávidas.

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