Parlamento israelita aprovou preliminarmente projecto-lei para proibir agência da ONU

Com 33 votos a favor e dez contra, “a sessão plenária do Knesset aprovou em leitura preliminar o projecto-lei para impedir as actividades da UNRWA” em terras estatais israelitas.

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Parlamento israelita aprovou esta quinta-feira, preliminarmente, um projecto-lei para proibir a UNRWA Reuters/AMIR COHEN
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O parlamento israelita aprovou esta quinta-feira, preliminarmente, um projecto-lei para proibir a UNRWA, agência das Nações Unidas de apoio aos refugiados palestinianos, no âmbito do presumível envolvimento de trabalhadores no ataque de 7 Outubro do Hamas contra Israel.

Com 33 votos a favor e dez contra, “a sessão plenária do Knesset (Parlamento) aprovou em leitura preliminar o projecto-lei para impedir as actividades da UNRWA” em terras estatais israelitas, segundo um comunicado ao qual a agência EFE teve acesso.

Promovida pelo partido de direita Likud do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a iniciativa será agora enviada à Comissão dos Negócios Estrangeiros e Segurança para discussão e deverá ser aprovada em três leituras subsequentes.

“Nas escolas que a agência opera em Jerusalém, estudam-se conteúdos anti-semitas e os livros escolares glorificam os terroristas que assassinaram mulheres e crianças”, indica a nota explicativa do diploma.

A mesma nota refere que o “papel da UNRWA é lidar apenas com refugiados palestinianos e, portanto, não há espaço para prestar quaisquer serviços no território do Estado de Israel, onde não há refugiados palestinianos, mas sim residentes do país”.

Israel assumiu o controlo da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias de 1967, tendo mantido um longo regime de ocupação militar e colonização do território.

Apesar de existirem pessoas de origem palestiniana com nacionalidade israelita em Jerusalém, muitas destas apenas têm autorização de residência.

Na terça-feira, o ministro israelita da Construção e Habitação, o ultra-ortodoxo Yitzchak Goldknopf, ordenou a evacuação imediata dos escritórios da UNRWA em Jerusalém Oriental.

As posições de Israel contra a UNRWA, organização criada em 1948, ocorrem depois de cerca de 12 trabalhadores da agência na Faixa de Gaza serem implicados no ataque do grupo islamita Hamas contra Israel, em Outubro.

A UNRWA, que tem mais de 30 mil funcionários, abriu uma investigação e rescindiu os contratos com os suspeitos.

Neste contexto, uma dúzia de países anunciaram a suspensão de financiamento à organização, incluindo os principais doadores, como os Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Suíça.

No início do mês, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou que Portugal iria fazer uma contribuição adicional de um milhão de euros para a Agência das Nações Unidas de Apoio aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA).

João Gomes Cravinho anunciou a contribuição extraordinária depois de uma reunião com Philippe Lazzarini, responsável pela agência das Nações Unidas que apoia os refugiados palestinianos.

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