Quer ver uma erupção vulcânica na Islândia? Quatro câmaras transmitem em directo os pontos mais activos

Jornal islandês está a transmitir imagens em directo da cidade de Grindavik e outras regiões onde uma nova erupção vulcânica pode estar iminente. Zona tem história milenar de erupções ricas em lava.

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Várias fendas surgiram numa estrada devido à actividade vulcânica, perto de Grindavik, Islândia, a 13 de Novembro Reuters/ROAD ADMINISTRATION OF ICELAND
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A 800 metros de profundidade na cidade islandesa de Grindavik, a Terra está a gerar o que os especialistas temem ser um desastre iminente. O balanço mais recente das autoridades indica que a crise sísmica que tem atingido a Islândia, e que sugere que uma erupção vulcânica pode eclodir na região sul do país, abrandou. Mas, temendo que esta seja a calma antes da tempestade, a população está de olhos postos nas regiões mais activas — e quatro câmaras estão a transmitir em directo as imagens, em quatro pontos do país, no canal do jornal mais popular da Islândia, o Morgunblaðið (em português, Diário da Manhã): a cidade de Grindavik, a montanha vizinha de Þorbjörn, ​a montanha de Litli-Hrútur e a cratera de Sýlingafell.

Os sinais de uma possível erupção vulcânica estão à vista na superfície do planeta: a formação de um rio de lava subterrâneo com pelo menos dez quilómetros de comprimento, que se estende apressadamente a nordeste de Grindavik,​ resultou no surgimento de fendas profundas em estradas e em campos abertos no nordeste da Islândia, que tem vindo a ser agitado por centenas de sismos todos os dias.

Não é uma história inédita em Grindavik e pode ser longa, recordou a ÍSOR, uma empresa que se dedica à investigação geotermal na Islândia — e prova disso são as cicatrizes deixadas no terreno por um enxame de "repetidas agitações vulcânicas" que ocorreu entre 1210 e 1240, há cerca de 800 anos. Foram tempos conturbados para o país: Enquanto entrava na Era de Sturlung, um violento período de lutas internas entre clãs pelo poder, enfrentava também o Reykjaneseldar (em português, os Fogos de Reykjanes) — uma longa e agressiva temporada de erupções vulcânicas ​na península onde agora se registam sinais de uma possível nova explosão.

De acordo com a ÍSOR, que em Fevereiro de 2020 mapeou o fluxo de lava para o mar e as erupções submarinas em tempos históricos na área de Grindavik, houve erupções vulcânicas submarinas ao largo de Reikjanes e a formação de fluxos de lava em terra. Um desses fluxos originou um rio de lava a oeste de Grindavik, chamado Eldvarpahraun: é o resultado de uma "fila de crateras que entrou em erupção nessa altura", denominada Eldvörp, que tem mais de oito quilómetros de comprimento e se estende desde Svartsengi até à costa sul, em Staðarberg. Daí, a lava continuou a fluir pelo mar fora: "O ponto mais distante fica a cerca de 2,7 quilómetros da costa e a uma profundidade de cerca de 90 metros", descreveu a empresa.

"É possível que a própria fissura vulcânica também se tenha estendido para além da linha de costa e que tenha havido uma erupção no fundo do mar ao mesmo tempo. É difícil identificar crateras submarinas, mas a localização da margem da lava no fundo do mar indica um fluxo através de uma fissura sem grande actividade explosiva", prosseguem as explicações da ÍSOR. Pelo contrário, a fissura teria uma actividade efusiva, com a libertação de fluxos de lavas muito líquidas e rápidas. Neste caso, a lava do Eldvarpahraun ocupou uma área de 3,4 quilómetros quadrados.

De resto, a região da península de Reikjanes em que fica Grindavik — a cidade evacuada por receio de uma erupção vulcânica este fim-de-semana — nasceu precisamente de uma erupção vulcânica há 8000 anos cuja lava se estendeu debaixo de água até uma profundidade de cerca de 100 metros. Habituada a conviver de perto com as ameaças dos vulcões (e com a fertilidade que eles acabam por ceder ao território, por causa dos nutrientes que depositam nos terrenos através da lava e das cinzas), a população aguarda agora por um novo capítulo desta longa história.

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