Um com ar condicionado, outro com 261 anos: os coches da coroação de Carlos III

Os novos reis vão usar dois coches. Para a Abadia de Westminster, irão no Coche do Jubileu de Diamante. De regresso ao Palácio de Buckingham, seguem no Coche Dourado.

Foto
O Coche Dourado volta ao Palácio de Buckingham depois do ensaio para a coroação Reuters/HENRY NICHOLLS

Nas ruas de Londres já estão milhares de pessoas à espera do momento em que vão poder acenar aos novos reis Carlos e Camila, coroados neste sábado. A caminho da Abadia de Westminster, os soberanos vão usar o moderno Coche do Jubileu de Diamante, com ar condicionado e janelas eléctricas. Enfim coroados, seguirão na procissão com mais de 6000 pessoas no histórico Coche Dourado.

Na manhã de sábado, Carlos e Camila, acompanhados pela Cavalaria, sairão do Palácio de Buckingham pela Porta Central e seguirão pela The Mall, passando pelo Arco do Almirantado e descendo Whitehall, percorrendo os lados Leste e Sul da Praça do Parlamento até à Abadia de Westminster.

Depois da cerimónia, a procissão será mais longa, incluindo não só as Forças Armadas do Reino Unido e da Commonwealth, mas também os membros da família real e, claro, os novos reis.

Coche do Jubileu de Diamante

O primeiro coche que Carlos e Camila vão usar é o do Jubileu de Diamante, o mais recente da “frota” da colecção real, que foi estreado por Isabel II em 2014, a propósito da abertura do Parlamento. Mandado fazer na Austrália, quando a então monarca celebrou os 60 anos no trono, em 2012, até agora, foi a antiga monarca a única passageira, ocasionalmente acompanhada pelo príncipe Filipe.

Foto
Isabel e Filipe no jubileu de diamante Royal Trust Collection

Mede mais de cinco metros, pesa três toneladas e precisa de seis cavalos para o puxar. No site do Fundo da Colecção Real, pode ler-se que o coche combina “o artesanato tradicional com a tecnologia mundial”. Por exemplo, o corpo é feito em alumínio e já não tem o típico balançar de um veículo puxado a cavalos, graças a uma suspensão com seis estabilizadores hidráulicos. E tem janelas eléctricas e ar condicionado.

A própria história do Reino Unido foi incluída no coche: os corrimões junto aos assentos pertenciam ao iate real Britannia e as janelas e painéis interiores vêm do castelo de Caernarfon. A coroa que está no topo da carruagem é feita a partir da madeira de carvalho do HMS Victory, o mais antigo navio de guerra da Marinha britânica. Adaptado à era digital, pode ainda ser colocada uma câmara que filma os percursos.

O Coche Dourado nos ensaios HENRY NICHOLLS/Reuters
O Coche Dourado Andy Rain/Reuters
Fotogaleria
O Coche Dourado nos ensaios HENRY NICHOLLS/Reuters

Coche Dourado

O Coche Dourado já faz parte da história da monarquia britânica e é usado em eventos especiais, como coroações e jubileus, desde 1762. Foi mandado construir com o propósito de transportar apenas reis e rainha. Desenhado pelo arquitecto William Chambers, conhecido por ter projectado a Somerset House, é uma obra do fabricante de coches Samuel Butler. A partir de 1831, com Guilherme IV, o coche começou a ser usado em todas as coroações.

Apesar de parecer ser esculpido em ouro, o veículo é feito com folha de ouro, uma camada fina aplicada por cima da madeira. O interior é forrado a cetim e veludo. Por fora, a decorar, estão painéis pintados com deuses e deusas romanas, descreve o Fundo da Colecção Real. No topo, três querubins a representar a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda. Em cima de cada uma das rodas, um tritão.

Foto
Detalhes do coche UK PARLIAMENT/JESSICA TAYLOR

Todos estes detalhes, e os sete metros de comprimento por 3,6 de altura, tornam-no o coche mais pesado, tem quatro toneladas, o que exigem oito cavalos para puxá-lo. Como tal, só pode ser usado numa procissão lenta, como será a deste sábado, ao longo de dois quilómetros.

Há 70 anos, Isabel II e o príncipe Filipe também usaram o mesmo coche no dia da coroação, a 2 de Junho de 1953. Diz-se que foi colocada uma botija de água quente debaixo do assento da rainha, porque o dia estava particularmente frio em Londres.

Foto
Isabel II e o príncipe Filipe no dia da coroação Royal Trust Collection

O Fundo da Colecção Real também conta que a rainha Victória não era particularmente fã deste coche e, depois da morte do marido, o príncipe Alberto, em 1861, nunca mais o utilizou na abertura do Parlamento.

A última vez que o Coche Dourado saiu à rua — com excepção dos ensaios desta semana — foi no jubileu de platina de Isabel II, em Junho de 2022. Com a saúde já debilitada por “problemas de mobilidade” — como então justificava o palácio — a rainha não viajou no interior do coche. Em seu lugar, um holograma mimetizava a imagem da jovem monarca recém-coroada.

Sugerir correcção
Comentar