Mais um negócio típico da era do streaming: Tina Turner vende todo o seu catálogo musical

BMG compra os direitos das gravações e da imagem da mulher a quem se devem sucessos como What’s love got to do with it. É até aqui o maior negócio do género desta editora com um só artista.

Foto
Tina Turner em concerto na digressão de 2000 Reuters

Uma carreira de 60 anos com títulos que fazem parte da história da música do século XX, como Private dancer ou What’s love got to do with it. Tina Turner, hoje com 81 anos, acaba de se juntar a compositores e intérpretes como Bob Dylan e Paul Simon ao vender todo o seu catálogo de canções a um grande grupo de media, no caso a BMG.

A carismática intérprete, que está entre as que podem reclamar com justiça a coroa de “rainha do rock'n'roll”, cedeu os direitos das suas gravações e composições à BMG, empresa a quem confiou, também, a gestão do seu nome e da sua imagem.

Segundo o diário britânico The Guardian, os valores envolvidos neste negócio não foram divulgados, mas a BMG fala dele como o maior jamais celebrado entre a empresa e um artista em nome individual. Citando “fontes da indústria”, a BBC diz, no entanto, que a transacção se ficou pelos 50 milhões de dólares (43 milhões de euros).

“Como qualquer artista, a protecção do trabalho de toda a minha vida, da minha herança musical, é algo pessoal”, disse Tina Turner, que se manterá ligada à Warner Music depois do acordo com a BMG (a Warner continuará a distribuir a sua música). “Acredito que, com a BMG e a Warner Music, o meu trabalho está em mãos profissionais e de confiança.”

Na lista de grandes êxitos de Turner estão também temas como Better be good to me, We don’t need another hero (Thunderdome), Typical male  e The best, todos eles abrangidos por este negócio que já podemos classificar como “típico” da era do streaming.

Foi Bob Dylan que, em Dezembro de 2020, já em plena pandemia, deu início à mais recente vaga de negócios desta natureza, vendendo os direitos autorais do seu vasto catálogo (seis décadas de canções) à Universal Music. Nos meses seguintes foram anunciadas transacções semelhantes, envolvendo Neil Young, os Dire Straits, os Blondie, vários membros dos Fleetwood Mac e Paul Simon.

Com Tina Turner, a BMG, parte do grupo de media Bertelsmann, dono da RTL e da Penguin Random House, acrescenta um nome de peso à lista de estrelas de cujos direitos já dispõe, e que inclui artistas como David Bowie, Kurt Cobain, os membros dos Rolling Stones Mick Jagger e Keith Richards, e os ex-Beatles John Lennon e Ringo Starr.

“Temos muita honra em ficar encarregados de gerir os interesses musicais e comerciais de Tina Turner”, disse Hartwig Masuch, director executivo da BMG, aqui citado pela televisão pública britânica. “O seu percurso musical inspirou, literalmente, centenas de milhões de pessoas em todo mundo. Esta é uma responsabilidade que levamos muito a sério e vamos trabalhar diligentemente. Ela é verdadeira e simplesmente a melhor.”

À BBC, Masuch garantiu ainda que a empresa tudo fará para levar Tina Turner e a sua música a novos públicos, apostando sobretudo nas novas plataformas e nas redes sociais.

A acreditar no valor divulgado pela BBC, o negócio celebrado com Turner ficou muito abaixo das cifras dos que envolveram Bob Dylan e Neil Young – o primeiro vendeu todo o seu catálogo à Universal por um valor estimado entre 300 e 400 milhões de dólares (entre 248 e 340 milhões de euros), o segundo desfez-se de apenas metade das suas canções por 150 milhões (130 milhões de euros, pagos pela Hipgnosis, uma companhia com sede em Londres).

Tina Turner retirou-se da vida artística em 2009, lembra a BBC, mas nos últimos dois anos a sua carreira tem vindo a merecer renovada atenção graças a um documentário da HBO e de um musical no West End – o título em ambos os casos é, simplesmente, Tina.