E agora foi a vez de Paul Simon vender todo o seu catálogo de canções

Só nos últimos meses, nomes como Bob Dylan, Neil Young e vários membros dos Fleetwood Mac fizeram negócios semelhantes. Paul Simon fechou esta quarta-feira negócio com a Sony Music. Os valores envolvidos não foram revelados, mas serão da ordem das centenas de milhões de euros.

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Paul Simon (à direita) com Art Garfunkel em 2003, no início daquela que era então a primeira digressão conjunta dos músicos em 20 anos AP/AP/BRAD C BOWER

Apesar de a história ser mais antiga, podemos dizer que Bob Dylan deu o pontapé de saída oficial em Dezembro, quando vendeu os direitos autorais do seu vasto catálogo (seis décadas de canções) à Universal Music por um valor estimado entre 300 e 400 milhões de dólares (entre 248 e 340 milhões de euros). Nos meses seguintes foram anunciados negócios semelhantes, envolvendo Neil Young, Dire Straits, os Blondie e vários membros dos Fleetwood Mac. Agora, novo gigante da música do século XX dá o mesmo passo: Paul Simon vendeu o seu catálogo à Sony Music, noticiou esta quarta-feira a editora. A quantia envolvida não foi revelada, mas aponta-se, tal como aconteceu com Dylan e Young, para um valor da ordem das centenas de milhões de euros.

O catálogo agora adquirido pela Sony Music recua até aos tempos iniciais de Paul Simon enquanto membro (e compositor) do duo Simon & Garfunkel, na década de 1960, e inclui todo o seu percurso a solo até ao presente. In Blue Light, o seu álbum mais recente, foi editado em 2018 e era composto de regravações de canções menos conhecidas do seu percurso.

Naquele mesmo ano, Paul Simon anunciara a sua despedida das digressões, justificando a decisão com o desejo de não passar largos meses afastado da família e com a dor causada pela morte de Vincent Nguini, o guitarrista camaronês que integrou a sua banda durante três décadas. O último concerto da digressão de despedida teve lugar a 22 de Setembro, no Flushing Meadows Corona Park, em Nova Iorque. Não se tratou, porém, de uma despedida dos palcos. Esporadicamente, em concertos especiais, o público poderá continuar a ter o privilégio de o ver actuar, como aconteceu em 2019, quando marcou presença no festival Outside Lands, em São Francisco.

Jon Platt, administrador da Sony Music Publishing, afirmou em comunicado que “Paul Simon é um compositor magistral e único, cujo excepcional corpo de trabalho exerce uma influência duradoura na nossa cultura e consciência”, detalhando ainda que, “dos standards de Simon & Garfunkel como Bridge over troubled water a clássicos a solo como Graceland, a música de Paul Simon ressoa profundamente como um marco cultural para pessoas de todo o mundo”.

Com este negócio, a Sony Music, para além de recolher para si os royalties relativos às canções (vendas de singles e discos, streaming, emissões radiofónicas), poderá licenciar livremente a sua utilização em filmes, programas televisivos ou anúncios publicitários.

Em artigo publicado na sequência da venda do catálogo de Bob Dylan à Universal, a Rolling Stone explicava que a multiplicação deste tipo de negócios surgia, da parte dos músicos, por uma combinação de factores, como sejam a brutal quebra de rendimentos decorrente da pandemia, que impossibilitou a realização de concertos e digressões, ou a incerteza em relação ao futuro, no que diz respeito aos royalties gerados pelo streaming, o formato dominante de audição musical no presente.

A venda de catálogos não se limita aos músicos mais veteranos. No último ano Shakira, The Killers, Imagine Dragons ou Calvin Harris fecharam negócios semelhantes.